<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Maria de Lurdes Fonseca &#187; A minha sabedoria</title>
	<atom:link href="http://www.mlfonseca.net/category/pessoais/a-minha-sabedoria/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.mlfonseca.net</link>
	<description>Sociologia, Academia e outros</description>
	<lastBuildDate>Sun, 29 Jan 2012 23:45:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
		<item>
		<title>Realizar involuntariamente os nossos piores receios</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2011/01/29/realizar-involuntariamente-os-nossos-piores-receios/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2011/01/29/realizar-involuntariamente-os-nossos-piores-receios/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Jan 2011 22:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=20703</guid>
		<description><![CDATA[Se há coisa que me incomoda é a terrível tendência que têm os infelizes, os auto-desvalorizados, os deprimidos, os desiludidos e os enfraquecidos para realizarem o pior dos seus receios de realização. E isto não afecta apenas aqueles que são, estavelmente (cronicamente) assim: infelizes, auto-desvalorizados, deprimidos, desiludidos e enfraquecidos, mas também aqueles que, por humanos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2011/01/29/realizar-involuntariamente-os-nossos-piores-receios/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2011/01/paa541000049.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-20708" title="paa541000049" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2011/01/paa541000049-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Se há coisa que me incomoda é a terrível tendência que têm os infelizes, os auto-desvalorizados, os deprimidos, os desiludidos e os enfraquecidos para realizarem o pior dos seus receios de realização. E isto não afecta apenas aqueles que são, estavelmente (cronicamente) assim: infelizes, auto-desvalorizados, deprimidos, desiludidos e enfraquecidos, mas também aqueles que, por humanos que são, ocasionalmente visitam essas estações do percurso. Talvez, portanto, esta desoladora tendência só não afecte os super-homens e as super-mulheres, se é que os há. Eu não estou, de certeza, nessa categoria.</p>
<p>Exactamente do que falo? Daquele hábito de criarmos e recriarmos, inconscientemente, as condições para a realização daquilo que mais desejámos que não acontecesse. É o meu caso quando faço sistematicamente o que sei que desiludirá o meu Amor, quando tudo o que quis desde que o conheço, intensamente, dedicadamente, foi nunca, nunca o fazer. Porque o fazemos? Bem, acho que o fazemos essencialmente por três razões: a necessidade básica que temos de consistência (diria a Psicologia, de consonância); a tendência bastante irresistível que tem quem sofre, de contribuir para o processo subjacente ao sofrimento; e a necessidade fundamental de segurança que todos temos, quando prosseguida através da tentativa de manipulação do controlo sobre o incerto.</p>
<p>Acho pois que, por um lado, necessitamos de sanar as inconsistências que inevitavelmente a vida acumula a respeito de nós próprios (e isso estudei, nas minhas aulas de Psicologia, ao abordar o tão útil, perspicaz e explicativo conceito de dissonância cognitiva e os seus diversos processos de restabelecimento). Ora, se tememos muito algo, secretamente cremos necessariamente na nossa capacidade de o materializar, mesmo em alguma irresistibilidade do processo (indesejado) da sua materialização. É aí que se origina o medo da falha; é aí que se origina a inevitabilidade de lidarmos com essa dualidade &#8211; o que fazemos e o medo do que poderíamos fazer. Ora, tanto esse receio, como a consciência da dualidade, são algo de psicologicamente muito incómodo. No meu caso, por exemplo (o que estou a usar como ilustração), sempre achei intimamente, embora racionalmente afastasse essa convicção, que ele achava que eu era muito mais do que de facto era e que seria apenas uma questão de tempo até que se apercebesse do erro. Daí o receio terrível que alimentei anos a fio de desiludi-lo, de agir contrariamente ao que ele cria (acreditava eu) serem as minhas tantas virtudes. O medo; a dualidade &#8211; ambos torturaram-me tempos infindos.</p>
<p>Quanto à tendência de quem sofre contribuir para o processo subjacente ao sofrimento, não há apenas aí ainda, um reflexo da necessidade da consonância (reforçar a coerência entre o ambiente, as suas consequências e o modo como nos sentimos) mas uma macabra necessidade de reforçarmos o pior de nós quando sofremos (assim como tendemos a reforçar o melhor de nós quando somos felizes). Há alívio em causar-nos sofrimento quando sofremos; há bálsamo em humilharmo-nos quando nos sentimos humilhados; há expiação em anular em nós aquilo que nos dói que os outros anulem. Já escrevi um pouco sobre isso noutro lado: <a href="http://www.mlfonseca.net/2010/09/02/ontem-nao-foi-um-dia-bom/" target="_blank">aqui</a>, e não me vou alongar a esse respeito. No meu caso isto traduz-se numa terrível (e massacrante) tendência para desiludi-lo como modo de provar a mim mesma que sou mesmo uma desilusão, para ele e para mim própria, o que naturalmente se enraíza em muito mais profundas insuficiências. É que naturalmente sofro agudamente por saber que o desiludo, embora não possa deixar de sentir alguma distorcida satisfação pela conclusão de que sou mesmo aquilo que, nos meus maus momentos, me forço a acreditar que sou.</p>
<p>E depois (ele conhece isto demasiado bem), há a minha necessidade fundamental de segurança adquirida através do controlo sobre o incerto. É tão grande o medo de desiludi-lo, de novo, de novo, de novo, que cedo regularmente à tentação de o desiludir propositadamente (tenho disso consciência imediatamente após o acto) só para suspender a sensação torturante de saber que está para breve e de me convencer que não sou já forte o suficiente, para não o fazer mais cedo ou mais tarde. É que demasiadas vezes o pior é o medo do fracasso e a tortura de dele não receber tréguas. Nessas alturas o fracasso em si pode ser a solução; pode ser o maior bálsamo; pode ser a mais prometedora cura. Lembro-me de uma vez em particular &#8211; o alívio que senti em estragar tudo deixou-me tão relaxada e calma, quando as semanas anteriores tinham sido de uma tensão imensa.</p>
<p>É por tudo isto que tantas vezes aceitamos com inevitabilidade a personificação do pior de nós, como se isso não pudesse ser evitado, para satisfazer os outros ou nós próprios, ou para acelerar simplesmente o que achamos que vai suceder necessariamente mais cedo ou mais tarde, só porque não queremos lidar com a espera. Isso é fraqueza? Será. Mas é ainda essencialmente, apenas, humanidade, e que maravilha há naquele que de tão perfeito, se escapa verdadeiramente à humanidade? Acho que nenhuma em especial. Não há que ter vergonha do que se é (porque é lindo o que se é); há apenas que conhecer para se admirar e bem gerir, aquilo que a humanidade nos proporciona.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Vejo estes processos em mim e vejo-os também ao meu redor. Vejo-os muito nos meus alunos também, porque contacto com eles tão regularmente. Gosto sempre de os ouvir sobre estes conflitos que experimentam, porque os entendo, porque partilho aquilo que me dizem sentir e porque genuinamente gostaria de os ajudar, porque sei como tantas vezes desesperei por ajuda eu própria, confrontada com as minhas batalhas. Demasiadas vezes a incapacidade de estudar é consequência da certeza da falha e da auto-sabotagem dos próprios esforços. Demasiadas vezes um aluno quer desistir de um curso porque prefere a consequência já, ao constante medo (a tortura do constante medo) da sua chegada, que magoa demasiado. Demasiadas vezes o isolamento é resultado da capacidade de fazer com que os outros nos deixem, com palavras, acções e omissões nossas, porque existe um prévio convencimento de que os outros nos querem deixar ou que é inevitável que isso venha a suceder, tornando-se o temor debilitante.</p>
<p>E demasiadas vezes insultamos simplesmente porque temos o terror de virmos nós a ser os insultados e resolvemos antecipar-nos. E demasiadas vezes nos achamos menos que somos (e dizemos a nós próprios que assim é) só porque tememos demasiado que a vida nos desiluda a nosso respeito. E demasiadas vezes comemos demais porque sofremos por estarmos gordos. E demasiadas vezes somos demasiado promíscuos só porque sofremos intensamente pelo facto de não nos sentirmos amados. E demasiadas vezes gritamos demais porque estamos magoados porque nos gritaram. E demasiadas vezes queremos matar quando aquilo que verdadeiramente queremos é morrer. E demasiadas vezes magoamos terrivelmente só porque desesperamos por um abraço.</p>
<p>Não faz mal em geral que o façamos de vez em quando. Não faz mal em geral que o sintamos de vez em quando. É natural e humano fazê-lo, desde que caminhemos no sentido de entender qual a verdade que se esconde por detrás desses processos e desde que os usemos como caminho para um melhor entendimento de nós. É que tudo isto, por mais que faça sofrer, só é verdadeiramente perigoso quando permitimos que a cadeia causal se complete. Pois se na origem do problema está a tristeza, no fim do processo espreita o seu reforço, se não racionalizarmos correctamente acerca dos processos, cerceando-os na sua vontade de realizar um círculo completo&#8230;</p>
<p>Comecei este texto a falar da capacidade dos infelizes, dos auto-desvalorizados, dos deprimidos, dos desiludidos e dos enfraquecidos para realizarem o pior dos seus receios de realização. Ora, esse caminho é nada mais, nada menos que um caminho para a concretização e para o reforço do modo como se sentem. O infeliz que se sabota corre o risco real e premente de encontrar no fim do caminho o incremento da infelicidade; o deprimido que se rende à pior promessa sobre si mesmo corre o risco real e premente de encontrar no fim do caminho o incremento da depressão; o enfraquecido que desiste de lutar contra uma tendência de auto-depreciação corre o risco real e premente de encontrar no fim do caminho uma ainda mais desabilitante fraqueza. Por isso é tão importante que quem se pensa aprenda a contrariar o fechamento do círculo, beneficiando apenas da iluminação, da catarse e da hermenêutica do caminho de contradição. Por isso é tão urgente que quem é ainda incapaz do auto-domínio e da auto-compreensão (e consequentemente de eficaz auto-gestão) resista aos inícios do processo buscando ajuda nos outros (abrindo-se à ajuda dos outros) e munindo-se das razões que possam, mesmo se não compreendidas verdadeiramente, ser intrumentalizadas no caminho da suspensão da irresistível tensão descendente. Neste último caso, tudo começa na humildade, começando a humildade na consciência e no respeito da própria humanidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2011/01/29/realizar-involuntariamente-os-nossos-piores-receios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Revelar a mulher maravilhosa que eu sou</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/11/18/revelar-a-mulher-maravilhosa-que-eu-sou/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/11/18/revelar-a-mulher-maravilhosa-que-eu-sou/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 19:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=18863</guid>
		<description><![CDATA[Há uma coisa que temos que agradecer à dor: ela arranca-nos da indiferença face a nós próprios; ela obriga-nos a fitarmo-nos mesmo se não nos queremos ver ou se nos habituámos à destreza de evitarmos o nosso próprio reflexo. Lembro-me de quando o Pedro era bebé: fiquei doente, muito doente e ignorei o corpo, as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/11/18/revelar-a-mulher-maravilhosa-que-eu-sou/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/11/0.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-18865" title="0" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/11/0-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Há uma coisa que temos que agradecer à dor: ela arranca-nos da indiferença face a nós próprios; ela obriga-nos a fitarmo-nos mesmo se não nos queremos ver ou se nos habituámos à destreza de evitarmos o nosso próprio reflexo. Lembro-me de quando o Pedro era bebé: fiquei doente, muito doente e ignorei o corpo, as dores, a agonia, como fazia com tudo o resto que a mim dizia respeito, porque só ele, então com seis meses, importava. Deixei até a certa altura de conseguir andar direita e de comer, tal era o agudo das dores e, mesmo nesse estado só fui ao hospital quando vi que não o conseguia já pegar ao colo. E mesmo incapacitada aguentei todo o dia e adormeci-o. Só quando dormia fui a correr ao hospital e quase me recusei ao internamento porque não podia imaginar deixar o meu filho &#8211; tive que ser forçada a isso. Ora, dessa vez, como nesta que é o meu presente, só a dor mais atroz foi capaz do impensável: obrigar-me a fitar o espelho, obrigar-me a reconhecer-me, constranger-me a tratar de mim própria.</p>
<p>Foi assim que comecei. Tenho sofrido tanto nos últimos anos&#8230; &#8211; não houve como não me olhar, especialmente quando me encontrei no nível mais profundo do que a depressão pôde para mim ser. O único modo de me reerguer &#8211; e tenho-o feito de modo sustentável (e em muitos aspectos admirável) ao longo essencialmente do último ano e meio &#8211; foi mesmo o de obrigar-me a analisar-me, a racionalizar-me e a mudar-me. É isso que vos escrevo aqui, essencialmente: o meu diário de bordo do modo como empreendo a mudança.</p>
<p>Ora, antes de tudo, a minha luta é a luta da minha plena aceitação isto é, a luta do pleno, solidário e caridoso abraço de mim. Fazê-lo tem sido também o caminho de tomar em mãos aquilo que fisicamente sou. Para quantos de nós não é uma mágoa ver aquilo que o espelho nos devolve? E para quantos de nós essa mágoa não começa na auto-recriminação e auto-punição derivada de acharmos que o culpado do desvio entre o que somos e o que gostaríamos de ser somos nós próprios? E como é difícil ganhar a luta emocional do restabelecimento da auto-estima e do auto-valor se não nos erigirmos sobre aquilo que é real, material e pode ser visto, medido e reconhecido!</p>
<p>É que para não voltar a fugir de mim própria, para não voltar a refugiar-me na sobrevalorização dos outros e para ter a capacidade de amar ser quem sou e de apreciar tudo aquilo que é expressão de mim, tive que começar a descobrir onde está a minha beleza, também a física, e a tomar nas minhas mãos a responsabilidade (e a premência) de a revelar, desde logo a mim própria.</p>
<p>O que é o peso? O peso é o rosto que vejo todas as manhãs e é a capacidade de me sentir bonita.</p>
<p>O que é a maquilhagem? A própria materialização, sempre que abro a caixa, de que me sinto merecedora o suficiente de almejar ao melhor.</p>
<p>O que é um aparelho &#8211; o sorriso bonito que quero? É a capacidade de sorrir, desde logo a mim própria, ao espelho, sem vergonha ou tristeza, e depois aos outros, fazendo belo aquilo que é o maravilhoso sentimento que me suscitam todos aqueles a quem sorrio.</p>
<p>O que é o cuidado de uma depilação perfeita, o direito a tirar horas para arranjar o cabelo ou a audácia de experimentar uma manicura? É o reconhecer a mim própria e é o assumir perante o mundo, que sou beleza, que posso ser beleza e que tenho o direito de sorrir intimamente, orgulhosa, cada vez que reconheço quem sou, desde logo naquilo que pareço.</p>
<p>Quem diria que pagaria um aparelho como vou fazer, quando perco a conta às coisas que poderia com esse dinheiro dar ao Pedro (vim há pouco, de novo, do dentista)? Sabem que foi há pouco mais de um ano que pela primeira vez arranjei as unhas? Sabem que finalmente estou a começar a depilação definitiva a laser? Sabem que ofereci a mim mesma uma caixa gigante de maquilhagem e que vou fazer para a semana um pequeno curso para aprender a maquilhar-me melhor?</p>
<p>Quem diria que posso ser assim? Quem diria que cada vez cede mais a culpa de pensar também em mim?</p>
<p>Se me acho bonita? Não especialmente. Mas aprecio-me e gosto de me ver ao espelho actualmente. Dá-me prazer escolher a roupa, andar nos meus fabulosos sapatos, arranjar o cabelo e conhecer as cores perfeitas para os meus olhos, maçãs do rosto e lábios. Ora, isso é um ganho extraordinário e conquistei-o recentemente.</p>
<p>Se gostava de ser diferente? Bem, diferente não. Gostava ainda de me melhorar (como estou a fazer), não porque o físico seja um fim, mas porque é um caminho poderosíssimo para o reequilíbrio do ego. E pensar no que já fiz, nomeadamente nas dezenas de quilos que perdi, não é apenas significativo em si mas, mais, é significativo pelo que implica: a capacidade reencontrada de tomar em mãos o meu destino, a minha vida e a minha identidade.</p>
<p>E sim, não duvido que juntando todas as facetas de mim &#8211; o meu físico, o meu coração, o meu intelecto, a minha personalidade, encontre uma pessoa maravilhosa. É alguém que ainda não revelei e que quero revelar em todo o seu potencial, mas é já alguém que existe, por ser alguém que em antecipação eu reconheço e procuro.</p>
<p>Ora, maravilhosos somos todos, assim tenhamos a coragem, a claridade e a perspicácia de assim nos vermos e de assim nos edificarmos. O segredo do efeito multiplicador desta atitude? Apenas um. Que aprendamos sem vergonha, sem meias-palavras ou subterfúgios desde logo a fazê-lo por nós próprios &#8211; exclusivamente por nós próprios e não por outrém, e depois a reconhecer perante nós e o mundo que é exactamente isso o que, orgulhosamente, fazemos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/11/18/revelar-a-mulher-maravilhosa-que-eu-sou/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ambiente, intimidade, dignidade e escolhas</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/09/18/ambiente-intimidade-dignidade-e-bem-estar/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/09/18/ambiente-intimidade-dignidade-e-bem-estar/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 10:21:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Dieta e bem-estar]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=16127</guid>
		<description><![CDATA[Concentramo-nos alternativamente nos outros, no ambiente, nas circunstâncias, isto é, no que se passa fora de nós; ou na intimidade, nos sentimentos e nas lutas internas, isto é, no que se passa dentro de nós. Muito menos reflectimos sobre o modo como o contexto nos molda, nos torneia e nos dá (constantemente) à luz, seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/09/18/ambiente-intimidade-dignidade-e-bem-estar/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/09/work.5713094.1.flat_.550x550.075.f.lavender.with.blue_.and_.white_.ginger.jar_.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-17321" title="work.5713094.1.flat.550x550.075.f.lavender.with.blue.and.white.ginger.jar" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/09/work.5713094.1.flat_.550x550.075.f.lavender.with.blue_.and_.white_.ginger.jar_-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Concentramo-nos alternativamente nos outros, no ambiente, nas circunstâncias, isto é, no que se passa fora de nós; ou na intimidade, nos sentimentos e nas lutas internas, isto é, no que se passa dentro de nós. Muito menos reflectimos sobre o modo como o contexto nos molda, nos torneia e nos dá (constantemente) à luz, seja em sensações, seja em convicções, seja em emoções, seja mesmo, como corolário, em reinvenção da identidade. Por isso vemos acriticamente, tantas vezes, o contexto mais como um dado que como um instrumento do nosso equilíbrio, satisfação e felicidade.</p>
<p>Tenho reflectido calmamente (saborosamente) nos últimos tempos sobre o meu contexto e sobre o modo como o alcance do bem-estar passa também pela inteligência que conseguimos aplicar à manipulação do nosso ambiente. Tenho passado a praticar o que essa reflexão me sugeriu e isso tem para mim significado equilíbrio. Conhecermo-nos e escudarmo-nos conscientemente do que nos magoa, do que nos angustia, do que nos instabiliza, do que precipita a nossa derrota, não é matéria da fraqueza; é matéria da sabedoria. Rodearmo-nos do que aprendemos, por reflexão e experiência, que faz florescer e prosperar o absoluto melhor em nós, é ainda matéria de último tipo.</p>
<p>O ambiente mais lato, aquele que é feito do espaço que habitamos e das coisas de que nos rodeamos, é o primeiro a influenciar o que sentimos e o que somos, até mesmo o valor que a nós próprios voluntariamente damos. Já se hospedaram num hotel maravilhoso, com jardins paradisíacos e piscinas luxuosas, com funcionários vestidos de uniformes cintilantes prontos a tratar-nos como realeza, com quartos impecavelmente decorados, limpos e arrumados, com cozinhas cheias de iguarias e mesas repletas de odores e sabores irresistíveis? Se já, percebem como o sentimento de dignidade, valor, merecimento e riqueza que esse ambiente nos transmite é fabuloso. Instantaneamente nos sentimos mais bem vestidos, mais educados, mais valiosos, mais especiais. Não se trata de termos mudado, trata-se de o ambiente nos ter dignificado. A consciência disto é algo que imperfeitamente conseguimos, em geral, transpor para o nosso dia-a-dia. Facilmente fazemos da nossa casa um sítio corriqueiro; um local imperfeitamente arrumado e tratado; um mero armário de utilidades; uma espécie de garagem cheia de ferramentas.</p>
<p>Se a escova do cabelo é essencial para nos mantermos penteados, um toque de arte nas paredes é essencial para nos mantermos inspirados; se os tachos são essenciais ao acto de cozinhar, o perfume discreto de uma jarra de flores frescas diz-nos que merecemos coisas bonitas, mesmo que a sua vida seja curta e o investimento pareça irracional; se o sofá é essencial ao descanso e ao convívio, os objectos com significado sentimental de que nos saibamos rodear são essenciais à saúde da alma.</p>
<p>Percebi agudamente, nos últimos tempos, como a minha sensação de dignidade, energia e auto-valor é também suportada pelo espaço. Sinto-me menos quando acordo num quarto onde há roupa pelo chão, pó nos móveis e um mero aglomerado de bens utilitários, de ferramentas para o dia-a-dia. Sinto-me mais quando acordo num quarto limpo e arejado, com um toque de cheiros e sensações maravilhosas, com fragmentos de arte e de emoção pendurados nas paredes, e com recordações de momentos felizes a salpicarem os móveis. A &#8220;lista de supermercado&#8221; e a necessidade de gestão de orçamentos familiares desfoca-nos muitas vezes de algo que é também essencial: não, não preciso utilitariamente de rosas ou margaridas com que encher jarros, não preciso utilitariamente de telas maravilhosas e de bordados delicados, mas se deles não me alimentar, tornar-me-ei facilmente um infeliz autónomo das tarefas (escravo dos processos quotidianos) em vez de uma feliz bailarina de emoções, que sabe fazer do espaço uma oportunidade de auto-dignificação e de auto-exploração. O belo revoluciona-nos e, especialmente no espaço que nos é mais pessoal, é tão essencial ao nosso bem-estar como qualquer item que diligentemente incluamos na lista das aquisições essenciais.</p>
<p>Em consequência, tenho passado não só a inserir o belo e o inspirador na minha &#8220;lista de supermercado&#8221;, quando antes a isso não me atrevia, por ter uma visão demasiado estreita do que são bens essenciais e por, lá bem no fundo, achar que não havia porque me presentear com tudo isso, embora estivesse disponível para ver como terceiros o mereciam, mas também a arrumar a casa não apenas porque tem que ser, nem sequer fazendo-o de qualquer modo (atabalhoadamente), mas como se isso fosse uma tarefa sagrada, que me muda silenciosamente, fazendo-me mais feliz, mais digna, mais equilibrada e mais mulher.</p>
<p>Mas o ambiente não é só a casa, o gabinete ou o escritório. O ambiente são as circunstâncias e os contextos onde nos integramos. As nossas escolhas podem ser caminhos de manipulação daquilo a que nos expomos, pelo que podem ser modos de enchermos o nosso dia-a-dia de rosas perfumadas, de frescos inspirados, de lustres faustosos e de brocados valiosos.</p>
<p>Sei que sequer falar com o homem que eu amo me deprime ainda ao ponto de me sentir esmagada pela dor e de chorar essa falta terrível, quando estou mais fragilizada? Neste caso, dignificar-me pelo ambiente deve ser excluir-me de o fazer, sempre que assim me sinta, mais sensível. Não o faço porque sou fraca ou incapaz mas porque sou inteligente e me conheço, bem como porque sei como o mal-estar e a tristeza funcionam como comporta &#8211; arrasam tudo, num efeito em crescendo, quando libertos, mesmo que discretamente. Poderei fazê-lo quando souber como os riscos não existem ou são ténues.</p>
<p>Sei que não quero saber de coisas que alguém faz, é ou diz, porque mais que uma vez isso me magoou, perturbou ou fez infeliz, por mais que aprecie essa pessoa? Gerir inteligentemente, bondosamente o meu ambiente é excluir-me da exposição a isso. As redes sociais por exemplo, têm formas de bloquear quem quisermos, discretamente. Porque não fazê-lo? A tecnologia não deve ser modo de nos escravizar, mas de nos libertar. Eu fi-lo recentemente com alguém que adoro mas a que não queria estar exposta, especialmente sem aviso ou limites. Não se trata de fraqueza ou de falta de coragem, trata-se do oposto &#8211; de robustez e sabedoria.</p>
<p>E depois, é aplicar isto a todas as circunstâncias do dia-a-dia:</p>
<p>Sei que não posso estar no mesmo ambiente que uma caixa cheia de bombons sem que os devore todos no espaço de minutos? Então, nada como os eliminar do meu ambiente, ou de comprar somente o que posso consumir. Mais uma vez, é sabedoria em gerir-me o que determina esse comportamento, e não qualquer forma de auto-privação ou de debilidade emocional;</p>
<p>Sei que ir às compras e estrear roupa nova me faz sentir bonita e confiante? Então tenho que acercar-me dessa ciência quando corro o risco de deixar que os sentimentos inversos se generalizem;</p>
<p>Sei que abraços e beijos me fazem sentir valiosa e querida? Então tenho de os facilitar no exacto momento em que me rodeie o sentimento de desvalorização e abandono&#8230;</p>
<p>Escrevi ao meu Amor recentemente e disse-lhe que não queria estar perto dele enquanto ele não tiver a capacidade de acrescentar algo à minha felicidade e ao meu bem-estar. É assim que será. Não posso viver deprimida ou auto-situada no espaço do mal-estar e das depressões. Amo-o terrivelmente (sempre assim o amarei), mas devo amar-me ao ponto de não permitir jamais que esse Amor diminua ou denigra o Amor e o respeito que devo a mim e à minha felicidade. Aliás, como poderei amá-lo e dar-lhe algo (mais que as coisas más que lhe tenho dado e com que o tenho magoado &#8211; tenho tantas, tantas culpas) se não estiver plena de sorrisos espontâneos, de equilíbrios perfeitos, de perspicazes provas de sabedoria e das gostosas consequências do bem-estar? Não poderei.</p>
<p>Por isso, embora eu seja o <em>locus </em>central da questão e bem-estar como o que construo seja conjugado apenas na primeira pessoa do singular, também as flores cheirosas e delicadas que enchem as jarras são por ele, também o meu espaço arrumado e arejado é um tributo que lhe faço, também a minha busca de equilíbrio, saúde, felicidade e satisfação virá a revelar-se um dom para o modo como nos relacionamos. Mas esvaziei-me de expectativas, estou simplesmente aberta ao que o mundo me possa dar, enquanto aprendo e aperfeiçoo a arte de me integrar harmoniosamente nele.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/09/18/ambiente-intimidade-dignidade-e-bem-estar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ontem não foi um dia bom&#8230;</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/09/02/ontem-nao-foi-um-dia-bom/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/09/02/ontem-nao-foi-um-dia-bom/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 10:41:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=16876</guid>
		<description><![CDATA[Ontem começou como um dia excelente; ontem terminou de um modo miserável. A minha incontrolável necessidade de pensar demais e de mastigar mentalmente (infinitamente) tudo, fez de novo, inegavelmente, estragos profundos. Não por si, mas pelas suas consequências. Inevitavelmente, em mim, a sobrerracionalização leva  à momentânea convicção do direito à indulgência &#8211; a de escrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/09/02/ontem-nao-foi-um-dia-bom/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/09/sadness_by_aydan_kerimli.001.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-16884" title="____sadness_by_aydan_kerimli.001" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/09/sadness_by_aydan_kerimli.001-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Ontem começou como um dia excelente; ontem terminou de um modo miserável.</p>
<p>A minha incontrolável necessidade de pensar demais e de mastigar mentalmente (infinitamente) tudo, fez de novo, inegavelmente, estragos profundos. Não por si, mas pelas suas consequências. Inevitavelmente, em mim, a sobrerracionalização leva  à momentânea convicção do direito à indulgência &#8211; a de escrever demais o que penso, e a de gritar demais o que sinto, falando sempre tão mais alto quanto o público seja mais, aquele que menos a essa indulgência quer ser exposto. Ela transforma-se pois em ataque, num ataque injusto, cobarde, que dá a prioridade da condição de vítima, àqueles que mais me são próximos e queridos.</p>
<p>Tentei combater o como a derrota me fez sentir mais derrotada, o como a vergonha me fez sentir mais envergonhada e o como o arrependimento me fez ainda mais arrependida, elencando as coisas que me fazem sentir melhor. Percebi que são de dois tipos: as destrutivas e as construtivas. E percebi também que não se pode dizer que prefira e privilegie as segundas, naturalmente, maioritariamente, como deveria.</p>
<p>Por mais tabu que seja e por mais negro que se apresente, o tema do como o sofrimento auto-infligido é tantas vezes prazeroso e libertador, tem a capacidade de me fascinar. A auto-mutilação e o suicídio são exemplos extremos daquilo com que, não o querendo aceitar, tantas vezes convivemos, naturalmente, humanamente, quer reconheçamos, quer não, o facto. É no ringue da auto-estima que estas batalhas se travam, vim gradualmente a concluir.</p>
<p>Quando estou extremamente deprimida, quando essa depressão me afecta o amor-próprio (fui entendendo ao longo dos anos), sinto recorrentemente mais prazer e mais alívio na auto-punição e na auto-destruição, que na auto-construção e auto-recompensa. Por isso, escolho ficar melhor comendo descontroladamente e terrivelmente; causando danos irreparáveis às relações com os que amo através de atitudes inaceitáveis; dormindo dias inteiros conscientemente prejudicando as minhas obrigações; ou, mais recentemente, fazendo exercício físico durante horas, esperando que o corpo se esgote e doa, para miraculosamente me esquecer do que me aflige.</p>
<p>Mas quando estou bem, quando a tristeza é passageira e o meu sentido de auto-valia é vibrante, procuro alívio e libertação em coisas positivas: na dedicação a actividades que me realizam como a escrita, o desenho ou a pintura; no ar livre e no conforto da natureza, obrigando-me aos espaços abertos e ao contacto com a luz do sol; na experiência edificante do belo, qualquer que seja o móbil do seu acesso; na permissão aos pequenos, inócuos prazeres, como uma chávena de chocolate a escaldar bebida num cenário perfeito.</p>
<p>Não posso negar que o primeiro impulso nunca é para mim, pelo menos nos últimos anos, para me curar através do positivo. Acho que a tristeza o facilita, pois quando estamos tristes procuramos contextos, pessoas e actividades, que se identifiquem com o nosso estado de espírito. Talvez essa tendência seja relativamente generalizada. Mas fui entendendo como funciona a cadeia causal &#8211; é que ser-se auto-destrutivo quando se está destruído não pode ser algo terapêutico, quer porque não pode recuperar o que se destruiu, quer porque corrói até aquilo que ainda era saudável. Já o fazer contactar (mesmo que inicialmente sem vontade) construção com destruição, não só começa a reconstruir o que se quebrou, como reforça aquilo que, através do cataclismo, se soube manter erecto.</p>
<p>É que se a luz do sol precipita o sorriso, a ira precipita a mágoa. É que se excessos alimentares prejudicam a imagem física, o belo aquece e eleva a alma. É que se me escolho &#8220;medicar&#8221; pelo negativo, verei no fim, inevitavelmente, uma pessoa pior; mas se me conseguir &#8220;medicar&#8221; pelo positivo, florescerei aos meus próprios olhos, atestando perante mim própria como sou alguém tão válido, rico e merecedor.</p>
<p>Só que sabê-lo é tantas vezes diferente de fazê-lo&#8230; E custa tanto, tantas vezes, obrigarmo-nos a racionalizar no sentido certo&#8230; É mais fácil abandonarmo-nos à corrente do rio que puxa, que escolhermos remar contra a força das suas vagas.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Ontem começou como um dia excelente; ontem terminou de um modo miserável &#8211; espero que hoje ocorra o inverso. (Estou a fazer por isso.)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/09/02/ontem-nao-foi-um-dia-bom/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mães dos homens que amamos</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/06/27/maes-dos-homens-que-amamos/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/06/27/maes-dos-homens-que-amamos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 10:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=15506</guid>
		<description><![CDATA[A mulher aprende, como ninguém, a empatia e o serviço. Treina em esquecer-se dela naturalmente, num segundo, especialmente quando ama cegamente, e especialmente em tributo do sexo oposto. É algo que foi inculcado na intimidade mais profunda do que é e, não obstante a &#8220;mulher moderna&#8221; pouco o reconheça e aceite, a mesma &#8220;mulher moderna&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/06/27/maes-dos-homens-que-amamos/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>A mulher aprende, como ninguém, a empatia e o serviço. Treina em esquecer-se dela naturalmente, num segundo, especialmente quando ama cegamente, e especialmente em tributo do sexo oposto. É algo que foi inculcado na intimidade mais profunda do que é e, não obstante a &#8220;mulher moderna&#8221; pouco o reconheça e aceite, a mesma &#8220;mulher moderna&#8221; tende a praticá-lo e a abandonar-se à sua prática, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, porque isso, de algum modo, a completa.</p>
<p>Fazê-lo pode não ser (e não é) emocionalmente inteligente, pode não ser (e não é) emocionalmente frutífero, pode até ser (e é) uma espécie de incursão num suicídio relacional, mas para a mulher, fazê-lo é realização, em algum momento, mesmo que seja também remorso e dissonância, em particular para a mulher jovem, a quem se ensina a crer e a idealizar um conjunto de valores típico da emancipação e da igualdade de género que, de facto, não se articulam ainda, quer com os seus modelos de comportamento, quer com as aspirações que nela, a sua socialização inculcou, quer sequer, com a realidade que vê ao seu redor.</p>
<p>Discutindo estas questões com os meus alunos vejo, como esperaria, como as posições das mulheres se repartem entre aquelas que constituíram já um núcleo familiar próprio e as que o não fizeram. As primeiras não crêem que possam vir a abdicar (voluntariamente) do ideal da mulher livre, emancipada e até dominante, face ao tradicional sexo forte &#8211; não o pretendem discutir sequer. As segundas concordam envergonhadas, a medo, quando finalmente são forçadas a ver e reconhecer o modo como reproduzem, quotidianamente, o modelo essencial do comportamento que as mães assumiram enquanto as criavam. É que, em média, tornamo-nos aos poucos as nossas mães quando o não pretendíamos, o que gera sentimentos de derrota, até um pouco de humilhação, por entendermos que nos deixámos arrastar para aquilo que não traduz o ideal que acalentámos. Por isso, tantas vezes dizemos: &#8220;lá em casa dividimos as tarefas&#8221; ou, &#8220;ele ajuda-me&#8221;, quando o fazemos sobrevalorizando as migalhas que permitimos que sejam o contributo que eles dão para as &#8220;tarefas da mulher&#8221;. (Assim nos defendemos puerilmente &#8211; dos outros e de nós próprias).</p>
<p>Isso começa a ser permitido por nós, julgo,  no modo como aprendemos, inconscientemente, a amar e a expressar amor, talvez mimicando aquilo que vimos (ou acreditámos) ser amor entre os nossos pais. É que a paixão para mim, e talvez para muitas outras mulheres, vem com uma inexplicável necessidade de cuidado maternal, a que resisto, e a que racionalmente objecto, embora não possa deixar de reconhecer como me realiza e faz feliz. De facto, sei medir o amor que sinto por um homem, na directa proporção de como me comporto como se fosse mãe dele. É assim apenas, entendi-o, e não digo que o ache virtuoso, digo só que assim as coisas são.</p>
<p>É que é quando me preocupo como se nada mais importasse com o facto de ele ter comido ou não, e quando tiro secretamente comida à minha boca para lha dar (como fazia a minha mãe com os filhos) que sei que estou apaixonada.</p>
<p>É que é quando me oiço a dizer, ridícula e comicamente a homens feitos &#8220;não te esqueças de levar um casaco&#8221; ou não me importo de tremer de frio mentindo ao dizer que não tenho frio também, para lhes colocar o meu agasalho sobre os ombros (como fazia a minha mãe com os filhos) que sei que estou apaixonada.</p>
<p>É que é quando me dói terrivelmente a alma ao imaginá-lo minimamente magoado com uma irrelevância qualquer, ou frustrado pela mais ridícula falta, desejando dar um braço para que tudo se recompusesse (como fazia a minha mãe com os filhos) que sei que estou apaixonada.</p>
<p>É que é, ainda,  quando me vejo a antecipar o suprir de necessidades que ele não sabe sequer ainda que terá, e a tratá-las como se fossem uma sagrada cruzada, deixando todas as minhas necessidades prementes, reais e actuais, abandonadas como irrelevantes (como fazia a minha mãe com os filhos) que sei que estou apaixonada.</p>
<p>E depois há a fase terrível de desejar fazer-lhes canja se estão doentes, de querer arrumar-lhes a casa para estarem confortáveis, de querer que me deixem coser-lhes o botão da camisa, de desejar comprar-lhes a roupa e passá-la a ferro, e de desejar-lhe fazer-lhes o jantar, e montar-lhes uma cama perfeita, feita de lençóis de seda. Tento que ninguém note que sinto assim (porque de algum modo me envergonho) mas, nessa altura, sei que já não há como contrariar o que sinto. Nessa altura sei que estou perdidamente apaixonada pelo homem que quero tratar como se um filho meu fosse.</p>
<p>Amando, sem o entender ou pretender, torno-me a minha mãe &#8211; algo que os homens abominam como princípio, desvalorizam como comportamento, mas aceitam (orgulhosamente) pela conveniência. A mulher permite-o (e deseja-o na maioria dos casos), até entender que o já não deseja mais e ao desconhecer-se no seu comportamento, porque ama menos ou deixou de amar.</p>
<p>Quando se diz com convicção a um homem, sem o tom jocoso que por vezes a isso damos: &#8220;não sou tua mãe&#8221;, é como se dissessemos simplemente &#8220;não te amo&#8221;. Eu acredito nisto&#8230;</p>
<p>Depois, se não há filhos, ou persiste o comportamento por hábito ou costume (o que também necessita de ser contrariado com luta) podemos manter o papel de donas de casa sem convicção e sem amor, e se há filhos, poder-se-á aplicar um efeito de halo, justificando-se pelos filhos, aquilo que se mantém como prática face ao pai deles.</p>
<p>É quando o amor se vai que a dissonância cognitiva se instala de modo mais agudo; é nesta altura que as fortes se rebelam e as fracas se acomodam, tantas vezes pelos motivos mais virtuosos e meritórios, mas ainda acomodando-se.</p>
<p>Independentemente da via, dá-se a reprodução social, na maioria dos casos. Se houver como, projectar-se-á para a próxima geração, como as nossas mães fizeram: &#8220;Que a minha filha tenha aquilo que não consegui&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;">**</p>
<p>A posse de um homem por uma mulher vem socialmente, curiosamente ainda, com impressionantes contornos domésticos. Talvez por isso mulheres e sogras compitam por tratar da roupa dele e por fazerem a comida de que ele gosta&#8230;possuem-no pela domesticidade.</p>
<p>E a posse de uma mulher por um homem tem também ainda, contornos em tudo semelhantes. É que a mulher que não trata dele e da sua casa, não é verdadeiramente sua &#8211; é dela própria ou de outrém.</p>
<p style="text-align: center;">**</p>
<p>Onde é que entendi que não amava? Quando tratar da roupa dele se transformou numa insuportável imposição sobre mim e o meu tempo.</p>
<p>Onde é que ele entendeu que não o amava? Exactamente aí &#8211; na roupa, no fogão e nos móveis.</p>
<p>É que podemos não entender racionalmente, mas entendemos intuitivamente como as coisas assim são.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/06/27/maes-dos-homens-que-amamos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Rorschach nas nuvens do céu</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/06/07/rorschach-nas-nuvens-do-ceu/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/06/07/rorschach-nas-nuvens-do-ceu/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 00:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=14704</guid>
		<description><![CDATA[O valor da preservação da natureza é o valor da preservação da nossa própria humanidade. O magnífico jogo de cores de um pôr do sol, a delicadeza encantadora de uma flor&#8230; É surpreendente como, quando nos relacionamos intimamente com o natural, ele se transmuta silenciosamente, no espelho da nossa própria natureza. É por isso que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/06/07/rorschach-nas-nuvens-do-ceu/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>O valor da preservação da natureza é o valor da preservação da nossa própria humanidade. O magnífico jogo de cores de um pôr do sol, a delicadeza encantadora de uma flor&#8230; É surpreendente como, quando nos relacionamos intimamente com o natural, ele se transmuta silenciosamente, no espelho da nossa própria natureza. É por isso que se fica horas a fio a seguir a dança das ondas do mar, embalado pelo suave rugir das vagas, sentado na areia, quando a praia fica deserta. É como se, esmagando-nos, o mar obliterasse o que o mundo construiu sobre o mundo (e logo o que construímos e aceitámos construído sobre nós), e nos voltássemos a ver autênticos &#8211; frágeis, doces, grandiosos e verdadeiros. É por isso que &#8220;tocar&#8221; a natureza e fazê-lo regularmente, é tão libertador e calmante &#8211; fitar o natural, ler nele, reflectida, a nossa natureza, tem o condão de nos reconciliar connosco próprios.</p>
<p>Os olhos foram naturalmente pensados para ver o que enfrentamos, e o que enfrentamos hoje, mesmo rodando a cabeça a 360º, é praticamente, durante a nossa vida inteira, um desfile, cada vez mais preenchido, complexo e intrincado de prédios e lojas, pessoas, automóveis e centros comerciais. As luzes e as imagens, as mensagens, os egos e as coisas, demasiado numerosos, activos e brilhantes, enchem-nos os olhos, facilmente, em pleno, fazendo difícil ver além do fogo de artifício exterior, o que vive, sem alarde, no coração. Para isso, necessitamos de um espelho de nós, e eles escasseiam cada vez mais, porque eles se escapam da nossa vista à medida que progredimos em &#8220;civilização&#8221; e porque demasiado rapidamente esquecemos onde os devemos procurar e reencontrar. Mas se os olhos servem para apreender aquilo que enfrentamos, também é verdade que aquilo que enfrentamos depende do quão disponíveis estivermos para olhar com imaginação para onde é menos provável que olhemos. Há um último reduto de natureza, em qualquer ponto da cidade, que silenciosamente nos continua a oferecer um reflexo límpido de nós, assim aceitemos reflectirmo-nos nele. Chama-se céu e é demasiado negligenciado, apesar de ter braços infinitos, capazes de nos abraçar sempre que a ele recorramos.</p>
<p>Estão confusos, perdidos, magoados, soterrados? Levantem os olhos e concentrem-se no céu. Ele vos esvaziará do irrelevante e ampliará o que efectivamente importa. Se escolherem ouvir o coração quando a abóbada celeste o ilumina, ainda que no centro do bulício, reencontrar-se-ão onde menos esperariam, mesmo nas circunstâncias em que içem os olhos sem razão, por não se acharem disso necessitados. É que o assédio sensorial é devastador para a nossa percepção e não invalida que, de autenticidade e verdade, estejamos sempre todos sedentos.</p>
<p>Eu procuro levantar os olhos para o céu regularmente. Pratico então, em jeito de Alice no País das Maravilhas, uma cuidadosa inspecção ao argumento que se lê e se vive &#8220;do outro lado do espelho&#8221; e faço do horizonte, sempre que a isso o estado do céu convida, a minha tábua de Rorschach. Concentro-me nas formas e movimentos enquanto procuro esvaziar a mente; aquilo que vir e ler nas nuvens, no primeiro relance lançado sobre elas, é o que importa, é o que eu sou, é o que eu amo. Ora, é isso que antes de tudo devo conhecer, acarinhar e preservar.</p>
<p>E o que vejo? Vejo o Pedro e o homem que amo, sempre. Este último, confesso, muito mais, porque não está ao meu lado e a ausência tem destas coisas. Vejo o que fazem e me impressionou, vejo o que dizem e como são feitos de ouro e jóias cintilantes quando os meus olhos os encontram, e vejo as minhas falhas em retribuir e honrar aquilo que foram e são, quando começaram e completaram este fazerem-se eu própria. É que não é exagero ou metáfora dizer que me vivem nos olhos, directamente vindos do coração, e que dos olhos se projectam em tudo o que eu faço, em tudo o que eu vejo, em tudo o que eu sou.</p>
<p>Enquanto ambos me esperarem, encantadoramente, cintilantes, nas ondas, nas flores, nas nuvens, nos animais e nas estrelas, saberei que devo-me ao quanto fazem parte de mim, mesmo que tantas vezes não esteja à altura de os merecer. Saberei que são e continuam a ser, de facto, a minha própria natureza, e que o meu valor se mede, ainda, no modo <em>como</em> os amo e os honro, diariamente, mais que estritamente no <em>quanto</em> os amo. A intensidade da emoção acrescenta menos ao que somos do que a recensão da natureza dos nossos comportamentos, quaisquer que sejam os seus bemóis e sustenidos. Amar é mais aquilo <em>que se faz</em> do que aquilo <em>que se sente</em>. Por isso de nada serve dizer &#8220;mas eu amo-te&#8221; quando não sabemos (por vezes até pelo arrebatamento do Amor, que pouco desculpa) transformar os actos &#8211; todos os actos &#8211; em declaração genuína de carinho, respeito e devoção. São pois sempre os nossos actos (e não as palavras) que devem falar de amor.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/06/07/rorschach-nas-nuvens-do-ceu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E o sapato não serviu à Cinderela&#8230;</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/05/30/e-o-sapato-nao-serviu-a-cinderela/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/05/30/e-o-sapato-nao-serviu-a-cinderela/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 May 2010 15:59:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=14481</guid>
		<description><![CDATA[A vida não se resume ao que queremos; há também aquilo que nos faz felizes. Se vos aconselho a que persigam o conto de fadas? &#8211; claro! Nada há de mais fabuloso que persegui-lo, conquistá-lo e ter o condão de o transformar em felicidade eterna, qualquer que seja a amplitude dessa eternidade. Há contudo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/05/30/e-o-sapato-nao-serviu-a-cinderela/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>A vida não se resume ao que queremos; há também aquilo que nos faz felizes. Se vos aconselho a que persigam o conto de fadas? &#8211; claro! Nada há de mais fabuloso que persegui-lo, conquistá-lo e ter o condão de o transformar em felicidade eterna, qualquer que seja a amplitude dessa eternidade.</p>
<p>Há contudo que perguntar: o desejo de viver o conto de fadas decorre do desejo de mediante ele se alcançar a felicidade? Ou será antes que o desejo de viver o conto de fadas se consome na consumação da vitória, sendo indiferente o que a realização do conto de fadas gera como consequências para o futuro?</p>
<p>A questão essencial é: porque se há-de escolher infelicidade apenas porque ela é consequente ao que se deseja porque abdicar do que se deseja não é opção independentemente das consequências, quando se pode escolher a felicidade que deriva de aceitarmos o que não era necessariamente o que desejaríamos, mas que efectivamente assim nos faz &#8211; felizes. É que nem é verdade que a nossa felicidade seja só nossa&#8230; ela é também condição de felicidade para aqueles que nos amam, desde logo aqueles que fazem depender a sua própria identidade de nós: os nossos filhos.</p>
<p>Tendo a achar que este desejo cego (que nos cega), de querer tudo o que queremos, apenas porque o queremos porque não sabemos aceitar abdicar do que desejamos, mesmo que isso nos faça infelizes, é meramente o efeito daquilo que a nossa cultura egocentrada em nós instiga.</p>
<p>Passei anos a perseguir o meu conto de fadas e agora que olho para o sapato de cristal, preparando-me para estender o pé, não sei se quero que ele me sirva ou não, pois sei que neste caso sucesso dificilmente será felicidade, quando com essa mesma felicidade já convivo há muito, não sendo ela mais plena apenas por não saber aceitar que, simplesmente, não posso ter tudo ou que não estou possivelmente, pelo menos para já, destinada ao conto de fadas que magicamente sabe ser porta aberta ao &#8220;viveram felizes para sempre&#8221;.</p>
<p>Se quem amamos necessariamente não nos fará felizes, porque não aceitar aqueles que amamos menos, mas sabem fazer-nos florescer com atenção, amor e amizade? Choca-nos esta concessão? Com certeza &#8211; é normal que choque. Mas não é mais cultural do que racional esse choque? Eu acho que é, e que faremos melhor se virmos para além dessa pré-formatação.</p>
<p>Não queremos todos ser amados sem limites e sem dúvidas, sabendo de certeza que quando o nosso amante passa as mãos pela nossa pele toca o veludo mais precioso; sabendo de certeza que quando alcança os nossos olhos os confunde necessariamente com diamantes; sabendo de certeza que trocaria o mundo inteiro num segundo (todos os segundos) pelo mundo que se desenha para lá do decote da nossa camisa? Não queremos todos alguém que é infantilmente feliz só porque está ao nosso lado, porque nos pode levar o pequeno-almoço à cama ou cobrir-nos de beijos quando estamos tristes?</p>
<p>É que esse tipo de amor e atenção valoriza-nos, alegra-nos, liberta-nos e faz-nos ser muito mais quem somos.</p>
<p>Eu tenho alguém assim e ele é um homem maravilhoso. Possui aliás a melhor e mais única qualidade do mundo: é o pai do menino mais lindo. Por eles, por ambos, talvez deva assegurar que o sapato de cristal nunca me deva caber no pé, até porque sei que se o calçar terei que percorrer quilómetros com dores terríveis nos pés, sendo uma incógnita o que encontrarei no fim da dura caminhada.</p>
<p>Crescemos todas a querer ser princesas, mas talvez necessitemos apenas de conseguir um dia superar-nos ao ponto de conseguirmos, sem pretensões ou egotismos, garantirmos as condições de ser e fazer feliz. Isso é, sem dúvida, outra forma de sermos coroadas de ouro e pedrarias.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/05/30/e-o-sapato-nao-serviu-a-cinderela/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Amor, Fim do Mundo e 66 dias</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/05/21/amor-fim-do-mundo-e-66/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/05/21/amor-fim-do-mundo-e-66/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 May 2010 10:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=14115</guid>
		<description><![CDATA[O Amor é ou não é. Amar um pouco não existe. Amar até um limite é absurdo. Amar acrescentando &#8220;se&#8221; é contrasenso.  O Amor não vem pois com desculpas, pois faz-se de absolutismos e extremados exageros. O Amor não vem com dimensões, pois só conhece a amplitude do infinito. O Amor não pratica rateios, pois em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/05/21/amor-fim-do-mundo-e-66/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>O Amor é ou não é. Amar um pouco não existe. Amar até um limite é absurdo. Amar acrescentando &#8220;se&#8221; é contrasenso.  O Amor não vem pois com desculpas, pois faz-se de absolutismos e extremados exageros. O Amor não vem com dimensões, pois só conhece a amplitude do infinito. O Amor não pratica rateios, pois em espaço só intelege o fim do mundo; pois em tempo só apreende o fim da eras.</p>
<p>Por isso, se aceitam um pouco, se aceitam limites, se são confrontados com &#8221;ses&#8221; ou se vos servem desculpas, deverão reconhecer que não são amados, embora possam mais ou menos conscientemente querer manter a ilusão de que um pouco vos chega, de que limites são provas de bom senso, de que &#8220;ses&#8221; são atestados de racionalidade e de que as desculpas, traduzem apenas formas caridosas (carinhosas) de cuidado.</p>
<p>Quem ama perde-se ante as racionalizações, carece escandalosamente de bom senso e sofre terrivelmente face à perspectiva de poder deter, ainda que apenas milímetros aquém do absoluto. Quem assim não é, não ama.</p>
<p>Não deveríamos merecer menos, especialmente se temos coração para dar nessa medida. Por isso, se aceitamos o limite, o &#8220;se&#8221;, as migalhas e desculpas, devemos ao menos ter a honestidade de isentar o outro de culpas, pois fomos nós mesmos que lhe colocámos nas mãos a carta branca de nos possuir sem nos amar.</p>
<p>A habilidade de formular e pronunciar as perguntas duras, de nada serve, se não sabemos enfrentar as respostas e transformá-las em acção. Ora, quando se ama alguém como amar é, a pergunta dura a fazer será: &#8220;Irias comigo até ao fim do mundo?&#8221; Qualquer indício de limites, &#8220;ses&#8221;, desculpas ou hesitações, é variação da resposta &#8221;Não te amo&#8221;. E há que saber e praticar que, em último caso, dignificar a Vida, vivendo-a, é ter a dignidade de continuar a caminhar sempre, em vez de nos sepultarmos em vida quer em imobilismos quer em atavismos mais ou menos conscientes.</p>
<p>Os meus 66 dias tiveram um fundo correcto, mas partiam de pressupostos errados sendo, de facto, resultado mais de uma forma de teimosia, do que de verdadeira perspicácia auto-analítica. Esperei encontrar realização, felicidade, orgulho e tranquilidade, no que apenas gerou mortificação e infelicidade e que, por endereçar apenas um &#8220;adereço&#8221; do problema, não poderia sequer almejar a resolvê-lo.</p>
<p>Parte de mim não pode deixar de ficar em dúvida sobre se a minha decisão de interromper a contagem (já deixei de me abster do que considerei na altura &#8220;um mau hábito&#8221; e &#8220;uma forma de adição&#8221; ) não é consequência de vícios de vontade derivados de nebulosas emocionais. Ainda assim, neste momento, quero ser feliz. Não me importo se essa felicidade é ilusória, frágil ou mesmo capciosa. Quero beber um pouco dela agora, já, mesmo que para isso haja modos de &#8221;apenas&#8221;, de &#8220;limite&#8221; e de &#8220;condição&#8221;, que não posso ignorar.</p>
<p>Então? Pratico o que prego? Agora não. É derrota? Talvez. É contradição? Decerto. É virtude? Apenas na medida em que é dar voz ao coração.</p>
<p>Repito: pratico o que prego, aquilo que acima acabei de pregar acerca de continuar a caminhar para honrar a Vida? Agora não. Desculpem-me.</p>
<p>Agora só quero ser um pouco feliz e seria infelicidade demasiada praticá-lo. Perdoem se vos desiludo, depois de me terem manifestado como acreditavam na minha capacidade de realização e fortaleza, mas já não quero ser forte - agora quero só ser humana: a humanidade na sua mais frágil, contraditória e natural expressão.</p>
<p>Sabem, não estou preocupada em ser mais do que sou e não quero agora sequer almejar a ser melhor. Quero só ser eu, com as imperfeições, contradições e insuficiências que tenho. Talvez amanhã seja diferente &#8211; quem sabe?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/05/21/amor-fim-do-mundo-e-66/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A radicalização do que importa</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/05/14/a-radicalizacao-do-que-importa/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/05/14/a-radicalizacao-do-que-importa/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 May 2010 10:57:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=13084</guid>
		<description><![CDATA[Como somos desequilibrados, exagerados e agressivos, quanto ao que sentimos intensamente, quanto ao que verdadeiramente importa&#8230; Se não gostamos mas amamos, apaixonadamente o que quer que seja, assim sentimos, vemos e fazemos tudo, em modo elevado ao absurdo; e assim deixaremos de ser o que somos, para nos tornarmos numa forma esquizofrénica de nós próprios que é, antes de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/05/14/a-radicalizacao-do-que-importa/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>Como somos desequilibrados, exagerados e agressivos, quanto ao que sentimos intensamente, quanto ao que verdadeiramente importa&#8230; Se não gostamos mas amamos, apaixonadamente o que quer que seja, assim sentimos, vemos e fazemos tudo, em modo elevado ao absurdo; e assim deixaremos de ser o que somos, para nos tornarmos numa forma esquizofrénica de nós próprios que é, antes de mais, manifestação da esquizofrenia pressuposta pela socialização do que há de desvirtuosidade e bestialidade (mas ainda assim de profunda realidade) na nossa essência.</p>
<p>Somos recorrentemente confrontados com a consequência letal do ciúme e da posse, em pessoas de personalidade calma e flexível. E como é duro saber, socialmente, que a violência é rainha, em particular no espaço dos afectos, onde a segurança deveria ser a mais sagrada garantia, por ser esse também o espaço dos indefesos: os que o são pela idade; e os que o são pelo sentimento. Não se ofende, viola, mutila e assassina tanto como na família e noutras variações de formas estabilizadas de contextualização da afectividade.</p>
<p>Quando se ama, odeia-se; quando se deseja, despreza-se; quando se quer acariciar, esbofeteia-se; e quando não se vive sem, projecta-se o que seria extinguir a existência, num jogo tão intenso e destrutivo, quanto o volume da emoção que o baseia. Já gritaram &#8221;Jamais&#8221; quando só queriam dizer &#8220;Agora não&#8221;? Já disseram &#8221;Morro&#8221;, quando quereriam dizer &#8220;Será difícil recuperar&#8221;? Já escolheram &#8221;Odeio&#8221; como a palavra certa, quando queriam apenas dizer &#8220;Amo, mas fui ofendido profundamente&#8221;? E quantas vezes a &#8220;Eternidade&#8221; adquiriu nos vossos lábios o sinónimo de &#8220;Agora e no futuro próximo&#8221;? E &#8220;amor da minha vida&#8221;? Quantas vezes foi sinónimo de &#8220;este amor que agora tenho&#8221;? Amavam e desejavam de modo intenso algo, apenas. Por isso, naturalmente, aplicaram radicalismo ao que se fundou no radical de vós próprios, pois é-nos intrínseco radicalizar o que importa. E mesmo que o não soubessem, ao fazê-lo, não jogavam essencialmente com o outro, mas jogavam essencialmente convosco próprios: jogavam o que de mais inconfessável e potente tinham: os vossos medos, as vossas frustrações, as vossas fraquezas e as vossas insuficiências.  </p>
<p>&#8220;Jamais&#8221;, &#8220;Morro&#8221;, &#8220;Odeio&#8221; são apenas formas de dizer &#8220;Sofro&#8221;. Ora, dizer &#8220;Sofro&#8221; é acessar bem fundo o reconhecimento de que &#8220;Tenho medo&#8221;, &#8220;Sinto-me incapaz&#8221;, &#8220;Sinto-me feio&#8221;, &#8220;Duvido de se merecerei&#8221;, &#8220;Gostava de ser amado&#8221;, &#8220;Queria que me considerassem&#8221;.</p>
<p>Já &#8220;Eternidade&#8221; e &#8220;amor da minha vida&#8221; são formas de dizer &#8220;Realizo-me&#8221; e dizer &#8220;Realizo-me&#8221; é resultado do deslumbramento que a validação externa implica a favor da crença em &#8220;Não vale a pena ter medo&#8221;, &#8220;Sou capaz&#8221;, &#8220;Sou bonito&#8221;, &#8220;Mereço&#8221;, &#8220;Sou amado&#8221;, &#8220;Sou considerado&#8221;.</p>
<p>O que se joga no centro gravitacional de nós, não pode deixar de gerar respostas potentes, quando desafiado. Basta um gesto para fazer implodir um palácio, se esse gesto atinge o cerne de algo que vive enraizado na nossa identidade, por exemplo, o medo de nos vermos sós. Do mesmo modo, um império pode erigir-se em segundos, a partir de um único grão de areia, se ele se apoiar em boa fundação. O potencial de construção e destruição do que vive no essencial da nossa afectividade é devastador. Conhecendo e dominando os nossos medos, frustrações, fraquezas e insuficiências, protegemo-nos de perder o palácio inteiro, embora também nos demitamos de poder aspirar ao império. Ainda assim, fazemos por nós, pois fazemos a favor da desconstrução do que a radicalização é, escudando-nos dos riscos que a radicalização implica.</p>
<p>Um dia escrevi o que abaixo deixo (como sempre, descontem a minha falta de arte&#8230;) e que bem podia chamar-se &#8220;Radicalização&#8221;&#8230; E não é a poesia que canta o Amor, nada mais que uma forma de exagero esquizofrénico, quando lida por quem não está apaixonado? ;)</p>
<p><strong>Nas entrelinhas de te querer junto a mim.</strong></p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Mas não apenas aqui,<br />
Não a um metro,<br />
Não a um passo,<br />
Nem sequer esmagado no peito,<br />
Sufocando-me num violento enlaço.</p>
<p>Quero mais. Muito mais.<br />
Quero tudo.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que os ouvidos te doam,<br />
Te firam insuportavelmente,<br />
P’lo bater do meu coração.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que vibres solto,<br />
Qual diapasão em uso,<br />
P’la cadência dos meus respiros.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que sintas as células novas,<br />
Te reoxigenes todo,<br />
P’lo sangue que o meu coração bombeia.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que sintas nitidamente,<br />
Que o sangue que em mim corre,<br />
Te escorre p’las veias dentro.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que sejamos siameses,<br />
Por o cérebro negar em absoluto,<br />
Que a nossa pele se aparte.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto que sejamos gémeos,<br />
Partilhando um mesmo útero,<br />
Sorvendo do mesmo líquido,<br />
Orquestrados por um mesmo coração,<br />
Unificados por uma mesma história.</p>
<p>Quero-te junto a mim,<br />
Tão junto, tão junto, tão perto,<br />
Que esteja grávida de ti,<br />
E te contenha todo no ventre,<br />
E te embale todo nas entranhas.<br />
E me refaças completamente,<br />
Reposicionando os órgãos,<br />
Empurrando os pulmões,<br />
Pressionando as costelas.</p>
<p>Quero mais. Muito mais.<br />
Quero tudo.<br />
Nas entrelinhas de te querer junto a mim,<br />
Está o desespero,<br />
o desvario,<br />
a obsessão,<br />
a fome,<br />
de me querer fundir em ti.</p>
<p>Quero-te junto, tão junto, tão perto,<br />
que querer-te junto se torne,<br />
materialmente uma impossibilidade,<br />
argumentativamente um contrasenso,<br />
ontologicamente um absurdo,<br />
logicamente uma falácia,<br />
por eu e tu,<br />
por tu e eu,<br />
não terem em absoluto fronteiras.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/05/14/a-radicalizacao-do-que-importa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Corpo como Argumento; Corpo como Poema</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/05/10/o-corpo-como-argumento-o-corpo-como-poema/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/05/10/o-corpo-como-argumento-o-corpo-como-poema/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 May 2010 13:43:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=13876</guid>
		<description><![CDATA[Ontem ao fim da manhã, com o piorar das dores, senti a necessidade de pensar e activar um modo, qualquer modo, que fosse sinónimo de bem-estar. Lembrei-me então das maravilhosas prendas que me ofereceram no meu aniversário e resolvi usar os sais da Liliane, a espuma da Amélia, as velas aromáticas da Ana e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/05/10/o-corpo-como-argumento-o-corpo-como-poema/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/05/hs1067.nude_.women_.bing_.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-13877" title="hs1067.nude.women.bing" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/05/hs1067.nude_.women_.bing_-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Ontem ao fim da manhã, com o piorar das dores, senti a necessidade de pensar e activar um modo, qualquer modo, que fosse sinónimo de bem-estar. Lembrei-me então das maravilhosas prendas que me ofereceram no meu aniversário e resolvi usar os sais da Liliane, a espuma da Amélia, as velas aromáticas da Ana e o gel delicioso da Cheila, para preparar um banho de imersão fabuloso. Acendi até o queimador de óleos aromáticos na casa-de-banho, para que o cheiro fosse, indubitavelmente, inebriante. Nem sei há quanto tempo o não fazia, mas lembrei-me que fazia parte <a href="http://www.mlfonseca.net/2010/03/02/os-meus-truques-contra-a-tristeza/" target="_blank">do que vos tinha sugerido contra a tristeza</a>, o que se aplica também a outras formas de mal-estar&#8230;</p>
<p>Preparei o banho bem quente, tão quente que queimasse ligeiramente (para que o sentisse bem nos ossos) e para que demorasse muito a arrefecer, pois queria estar muito tempo ali; tanto quanto possível.</p>
<p>O Pedro estava naqueles momentos em que queria estar sempre perto de mim, e isso desgostou-me porque eu queria tanto estar sozinha, para poder fechar os olhos só um bocadinho, sem me preocupar com ele. Aí estava uma péssima altura para o meu menino recusar o irrecusável: Gormitis, Transformers, Legos e tudo o resto que ele adora. Como sempre, contudo, o Pedro surpreendeu-me e, mal entrei no banho, ofereceu-me um beijinho (que prontamente aceitei) e prometeu-me outro quando saísse. Ante a minha insistência de receber o segundo imediatamente ele disse: &#8220;Não, quando saíres do banho, porque agora vou brincar&#8221;. Talvez ele tenha entendido que precisava de estar um pouco só, embora nunca lho desse a entender, quem sabe&#8230;</p>
<p>E lá fiquei eu, mergulhada até ao pescoço, primeiro a amaldiçoar o tamanho da banheira e depois, cada vez mais, flutuando em coisas boas, embalada pela suavidade dos sais na pele, e pela tentativa pouco empenhada de tentar destrinçar que cheiro pertenceria a quê.</p>
<p>Depois, fiz uma coisa que julgo que as mulheres fazem muito nessa circunstância: comecei a olhar para o meu corpo e a analisá-lo. A luz era impiedosa e isso, curiosamente, pareceu-me só um presente &#8211; de modo algum uma forma de condenação.</p>
<p>O que vi foi algo que nunca tinha visto: vi Amor, vi um poema, vi uma forma nova de feminilidade. Talvez o que distinga o corpo de uma menina do corpo de uma mulher, seja a capacidade de contar histórias. Se os homens desejam corpos perfeitos, os de revista, desejam corpos indiferenciados e mudos; incapazes de falar. São assim, em geral, os corpos das meninas, das adolescentes e das jovens, mas não os corpos das mulheres. Esses, são a oferta da carne e da Vida, feitos mapa do tesouro.</p>
<p>Acho que tive orgulho, pela primeira vez, de ver que o meu corpo começa a ser maduro, feminino num sentido amplo e abrangente; que é o corpo da sexualidade plena, natural, da maternidade encarnada, da auto-consciência tranquila e orgulhosa, e do deslumbre conquistado pelo respeito.</p>
<p>O corpo de uma mulher fala, e ao falar fala de coisas únicas, fazendo-se assim, ele próprio, único.</p>
<p>O corpo de uma mulher fala, e ao falar fala de coisas preciosas, fazendo-se assim, ele próprio, um poema.</p>
<p>Ontem, vi que tinha já um corpo de mulher: um corpo que conta uma história.</p>
<p>As ancas falam do acto de amor que é o corpo adaptar-se amorosamente, lentamente, quando como uma flor desabrocha, a um precioso novo ser que cresce. Falam discretamente, em segredo, sendo necessário olhar de perto para apreciar esse soneto.</p>
<p>Os seios falam da simbiose entre mãe e filho, que é a mágica e inexplicável comunhão de seres que são um só e bem diferentes, durante o milagre da amamentação. Falam discretamente, como uma canção de embalar que se canta baixinho.</p>
<p>As pernas e os tornozelos mostram ainda, embora seja imperceptível para o olhar não treinado, o cansaço que foi transportar um anjo na barriga, como casulo sagrado, e as costas ressentem-se sempre um pouco ainda, especialmente quando podem relaxar, abraçadas pela água escaldante, de nunca se recusarem ao colo, por maior que o Pedro já seja.</p>
<p>Os dedos falam das horas infinitas de quando tocava viola, e compunha ao som do que era, na adolescência, conhecer e reconhecer o coração, o corpo e a alma. O dedo médio da mão direita tem a deformação típica de quem estudou como eu estudei, porque nada fazia tão bem e com tanto prazer e porque queria ser aquilo que sou: fazer o que faço e com quem o faço.</p>
<p>Já os joelhos falam da menina arrapazada que vestia sempre vestidos e usava tranças no cabelo, pois era a menina lá de casa, mas que caía constantemente sobre os joelhos nus, de trepar a todo o lado, de rebolar por todo o sítio e de saltar, de tão alto quanto possível, sempre com um ligeiro receio, que nunca a imobilizou, pois queria sempre provar que podia mais. O usar joelhos esfolados como acessório de moda, deixou no corpo a marca romântica da feliz menina que fui.</p>
<p>E o queixo. Esse fala da bicicleta, a melhor, a mais linda e invejável, que escolhi e me acompanhou sempre e que no fim, destruída pelo intolerável uso e já sem protecções de qualquer tipo, me magoou gravemente, quando já cursava a primária.</p>
<p>Quanto às cicatrizes médicas, um dia chorei um pouco, ao ver-me ao espelho, pois logo após a gravidez, um problema de saúde com complicações graves, deixou-me uma cicatriz grande, na barriga.</p>
<p>Chorei porque me senti mutilada pela primeira vez, embora já tivesse passado muito tempo, desde essa operação. Não chorei tanto por mim, mas porque queria poder oferecer um corpo perfeito ao homem que eu amo, e não mais o poderia fazer. Foram contudo apenas duas lágrimas, e sequei-as num ápice. Essa cicatriz, tinha entendido, mesmo que atabalhoada e imperfeita devido à urgência da intervenção, não podia representar morte ou mortificação; ela é vida, pois sem ela, dizem-me os médicos, não teria sobrevivido. Ora, é vida para o meu Pedro, para mim e para quem me ame. Só é possível, em Amor, glorificar aquilo que me salvou.</p>
<p>E há outras cicatrizes &#8211; revi-as todas, e todas são, ao seu modo, poemas de Amor. E todas contam, ao seu modo, uma história maravilhosa.</p>
<p>Se um homem nos ama, ama a nossa vida; necessariamente ama a nossa história. Por isso, não pode deixar de ler poesia no corpo que relata o nosso enredo, e não pode deixar de se sentir grato pela dádiva do corpo de uma mulher, mais que pela dádiva do corpo de uma menina. É que a dádiva do corpo de uma mulher vem com argumento, vem com a oferta dupla do corpo e da alma, num enredo que fala sempre de Amor, e que o tempo teve a gentileza de aprimorar.</p>
<p>É demasiado fácil supormos que para connosco, o mundo é bem mais inflexível e duro, do que somos nós para com ele. É demasiado fácil crermos que o que o Amor nos faz sentir, em relação ao corpo do ser amado, não tem reciprocidade no modo como esse amado recebe o nosso corpo. Mas se tudo é encanto para quem ama e se o que o mundo diria serem imperfeições são aos olhos da paixão riquezas incomensuráveis, e por isso poemas de perfeição inabalável, porque cremos tantas vezes que quem amamos (se nos ama) não olhará para nós, fazendo-nos a obra de arte, que deles já fizemos?</p>
<p>Só vê imperfeição quem não sente o deslumbramento do Amor; só não quer possuir toda a história, aquele que verdadeiramente não considera o livro. Por isso, as imperfeições que a Vida nos vai deixando no corpo são formas de dádiva e de oportunidade.</p>
<p>São forma de dádiva porque por elas, temos para oferecer, com o corpo, a quem amamos, muito mais que pele e ossos. Ao oferecermo-nos, oferecemos a Vida, que se foi deixando marcada de forma indelével em nós.</p>
<p>São também formas de oportunidade, pois a imperfeição permite-nos ver qual a qualidade do sentimento, de quem connosco se deita. Quem ama deseja a Pessoa; quem não ama, termina no corpo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/05/10/o-corpo-como-argumento-o-corpo-como-poema/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>66, desafios e dores, de vários tipos</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/05/08/66-e-dores-de-varios-tipos/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/05/08/66-e-dores-de-varios-tipos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 08 May 2010 19:48:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=13778</guid>
		<description><![CDATA[Esta semana foi muito difícil. Tinha os meus compromissos, como sempre, e não desejava faltar a nenhum. Contudo, por razões que alguns conhecem, estive constantemente a sentir dores muito próximas do insuportável, continuamente a medicar-me com analgésicos, e a saber que estava a exagerar, quer no esforço, quer na quantidade de paracetamol. Quanto ao esforço, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/05/08/66-e-dores-de-varios-tipos/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>Esta semana foi muito difícil. Tinha os meus compromissos, como sempre, e não desejava faltar a nenhum. Contudo, por razões que alguns conhecem, estive constantemente a sentir dores muito próximas do insuportável, continuamente a medicar-me com analgésicos, e a saber que estava a exagerar, quer no esforço, quer na quantidade de paracetamol.</p>
<p>Quanto ao esforço, subvalorizei o que a debilitação me faz, quando em aulas, e o esforço foi muito nocivo, especialmente nas turmas maiores, onde mais necessidade há de desgaste físico. Hoje, percebo bem que o continuar e o piorar das dores se deveu directamente a isso.</p>
<p>Quanto ao paracetamol, bem sei como ele é agressivo para o corpo, especialmente para o estômago, rins e fígado e, depois de ter consumido todo o <em>stock </em>cá de casa em poucos dias, vou parar de o tomar por constrangimento, não comprando mais, pois o Pedro tem o seu xarope, caso necessite.</p>
<p>Olho sempre para as dores físicas com grande resignação e vivo-as essencialmente em silêncio e com paciência, esperando que não se note, sendo verdade que nunca achei a dor, por si, algo que justifique que falhe no cumprimento das minhas obrigações, o que, vejo agora, uso como critério para mim, mas não para mais ninguém &#8211; acho inconscientemente que todos têm direito, à mais pequena dor de não trabalhar, menos eu, o que é claramente herança da minha mãe, que sempre assim se comportou&#8230; Contudo, se tenho ao meu lado alguém que ame, não uso de resignação ou silêncio; bem pelo contrário. Ajo como uma criança. Quero abraços, miminhos e atenção &#8211; toda a atenção -, e repito vezes e vezes sem conta que &#8220;Dói&#8221;, que &#8220;Dói muito&#8221;. De algum modo dizê-lo faz doer menos, sempre; e de algum modo, o carinho e os beijinhos são como que um quente e tranquilizante bálsamo, que torna tudo mais fácil.</p>
<p>Tenho tido esse carinho &#8211; tenho sorte em tê-lo sempre, do pai do Pedro, desde logo, e posso até contar com o do Pedro, que se deita ao meu lado e me dá beijinhos e abraços, delicadamente e tão gentilmente &#8220;pois a mãe está doentinha&#8221;.</p>
<p>O problema das dores físicas advém não apenas delas, mas do facto de amplificarem as dores emocionais. A debilitação física coloca-nos em contacto com a tirania da nossa humanidade e, por aí, revaloriza-a, enfatizando as fraquezas, todas. A debilitação física também, especialmente quando ela deriva de questões complicadas de saúde, coloca-nos em contacto com a nossa caducidade e, por aí, faz com que desejemos consumir, o que guardávamos para &#8220;a vida&#8221; já, num já premente, que é antes de mais a amplificação da dúvida acerca dos amanhãs. E por fim a debilitação física não pode deixar de querer consolo, não um consolo qualquer, mas o consolo especial que se articula com a agudização da consciência da humanidade e da caducidade. Queremos o que desejamos e não temos &#8211; já, agora, antes que possa ser tarde, mesmo que racionalmente não haja porque pensar que o nosso prazo se aproxima.</p>
<p>Por isso, os 66 dias, aos quais posso já deduzir 15, tornam-se mais desafiantes. Muito, muito mais desafiantes.</p>
<p>Hoje foi um dia difícil, o mais difícil até agora. Já o esperava, embora não pensasse que as dores físicas o fizessem ainda pior. Mas resisto, resisto e resistirei. Não é teimosia, é Amor, por todos os que directa e indirectamente nos 66 dias se envolvem, também por mim. Espero estar a fazer o correcto e não devo deixar de confiar, desde logo, no Coração daqueles que amo.</p>
<p>Quanto ao resto, paciência é virtude. Tudo passa, e o que melhor nos define não é o que somos em normalidade, mas como nos comportamos em desafio. E desafios temos todos &#8211; há que ganhá-los com um sorriso, com dignidade e uma pitada de imaginação. Tenho música &#8211; faz-me feliz :) e, embora não consiga sempre, posso brincar com o meu doce Pedrinho sempre que estou melhor. E chá, claro, há chá &#8211; a alma também se aquece pela boca ;)</p>
<p>Agora sinto-me um pouco melhor (último Ben U-Ron&#8230; :) &#8211; sou capaz de partilhar convosco um pouco da minha banda sonora de estar doentinha :)).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/05/08/66-e-dores-de-varios-tipos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os meus truques contra a tristeza</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/03/02/os-meus-truques-contra-a-tristeza/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/03/02/os-meus-truques-contra-a-tristeza/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 20:35:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=12730</guid>
		<description><![CDATA[Apesar da distância, das metáforas e do relativo anonimato, é bom sentir como nos identificamos e nos compreendemos, mesmo que use o blogue, quando falo de mim, como se falasse comigo própria, quase alheia à audiência e, portanto, sem legendas ou &#8220;claridades&#8221;. Foram vários os que leram perfeitamente  a minha tristeza, especialmente desde aqui e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/03/02/os-meus-truques-contra-a-tristeza/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/03/1410398234_c341320704.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-12735" title="1410398234_c341320704" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2010/03/1410398234_c341320704-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Apesar da distância, das metáforas e do relativo anonimato, é bom sentir como nos identificamos e nos compreendemos, mesmo que use o blogue, quando falo de mim, como se falasse comigo própria, quase alheia à audiência e, portanto, sem legendas ou &#8220;claridades&#8221;. Foram vários os que leram perfeitamente  a minha tristeza, especialmente desde <a href="http://www.mlfonseca.net/2010/02/23/balancar-balancar-e-sair/" target="_blank">aqui</a> e me mandaram mimos, muitos mimos, tantos mimos, que agradeço.</p>
<p>Bem, a tristeza faz parte da vida, a desilusão é uma fatalidade incontornável, e as decisões, ao implicarem custos, alguns muito, muito pesados, não podem deixar de arrastar consigo o coração. Mas, como então escrevi, &#8220;as escolhas são assim: ou se fazem ou aprisionam-nos&#8221;. Devem ser feitas, mesmo quando nos partem o coração.</p>
<p>Ontem, disseram-me que estava resplandecente, linda e a irradiar felicidade e pensei: como é possível que os meus olhos, os gestos e as palavras, não mostrem esta tristeza surda e tão funda, que me esmaga? Ontem e hoje pensei sobre isso e percebi que fui desenvolvendo ao longo do tempo, especialmente ao longo dos últimos anos, mecanismos muito eficazes contra o efeito da tristeza. É por activá-los tão bem, quando necessário, que se tornou possível desassociar o meu sentimento da minha expressão, concluí.</p>
<p>Talvez se tiverem tristes, assim como eu estou, possam aproveitar estes meus mecanismos ou truques, razão pela qual acho que vale a pena perder um pouco de tempo a escrevê-los.</p>
<p>Antes de mais, há um princípio fundamental: devemos acreditar verdadeiramente que tudo é passageiro, e devemos racionalmente manter-nos nessa convicção. Pensem nas piores coisas que vos aconteceram: as desilusões, as perdas, as dores físicas. No seu auge pareciam inultrapassáveis, e hoje já nem delas se lembram. Creiam profundamente que a tristeza que agora sentem é só uma estação da viagem e concluam que devem ter paciência. Depois:</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam à melancolia</span>: Não oiçam música melancólica, deprimente e que vos reforce a tristeza e o seu racional. Rodeiem-se de música alegre, daquela tão irresistível que deixa qualquer um a cantarolar ou a bater o pé. A música é o pior&#8230; é tão poderosa&#8230; tenham cuidado com a música.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam ao mal-estar</span>: Tomem banho com sais maravilhosos e fiquem lá muito tempo, concentrando-se em vós e nas coisas de que gostam, permitindo-se ser indulgentes ao máximo, usando tudo aquilo que vos dá uma sensação de bem-estar e não vos deixe problemas de consciência (de que vale comer bolo de chocolate se depois a balança e a consciência nos vão castigar)? A ideia é afastarmo-nos do castigo, da culpa, do desconforto e do mal-estar.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam à baixa auto-estima</span>: Vistam a roupa mais bonita e passem muito tempo a escolher o perfume e a maquilhagem até se sentirem perfeitos. Se se atrasarem, o mundo não cairá decerto. Usem tudo o que puderem, em especial a aparência, para suportarem a auto-confiança e para chamarem os elogios dos outros e a sua valorização. Enganem o mundo para que o mundo vos dê aquilo que dele, naquele momento, necessitam.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam ao contágio</span>: Afastem-se de quem está triste e, quando digo afastem-se, quero dizer &#8220;fujam a sete pés&#8221;. O pior é reforçar a tristeza e racionalizá-la, especialmente encontrando apoio para ela fora de nós. Não podem oferecer nada a quem também está triste senão tristeza, e quem está triste não tem nada para vos oferecer senão isso.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam à auto-centração</span>: Rodeiem-se de pessoas alegres e bebam dessa alegria. E rodeiem-se de um grupo de pessoas ainda melhor, para &#8220;usarem&#8221; como terapia: as pessoas em necessidade: as que precisam de tempo, de atenção e de ajuda prática. Se reconhecerem que as necessidades que têm são urgentes e atendíveis, facilmente mergulharão nos seus problemas e esquecerão os vossos.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam ao fracasso</span>: Dediquem-se ao que fazem de melhor, para o sucesso ser, nesta fase, tão &#8220;à prova de bala&#8221; quanto possível. Para contrariar a tristeza é necessário alegria. Criem-na com aquilo que controlam, sendo criativos na identificação das suas oportunidades.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam à generalização</span>: Se estão tristes porque perderam um amor, não se coloquem na posição de perder outro; se estão tristes porque chumbaram num exame, não façam mais já, muito menos pouco preparados. A tristeza implica falha de resistência contra a generalização e o pior é achar que o que é um acaso afinal se revela regra.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam ao desamparo</span>: Escolham a companhia dos amigos/ namorados e outros, positivos, e que dão &#8220;colo&#8221;, metaforicamente e literalmente. Os que vos abraçam quando vêem olhos tristes e os que dão o ombro e o colo para poderem descansar e dormir. Nada se compara ao conforto físico.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Resistam à desocupação</span>: E ocupem-se, ocupem-se, ocupem-se, afastando-se da razão da tristeza. O maior inimigo de quem está triste é o vazio: o silêncio, a inactividade, a solidão. Escudem-se deles e encham os silêncios de palavras inócuas, a inactividade de actividades inacabáveis e a solidão de pessoas.</p>
<p>Chorar? Sim, podem chorar, mas resistam a fazer do choro um hábito. Chorem um bocadinho quando se sentirem demasiado tristes, só como escape instantâneo da tristeza. Mas não o prolonguem; não o repitam constantemente. Se tiverem tendência para isso, chorem acompanhados de um ombro amigo, alguém que vos ajude contra essa tentação (e risco).</p>
<p>Tudo passa, mais cedo ou mais tarde.</p>
<p>Depois, tristeza é apenas a medida da dimensão da alegria. Quem nunca esteve triste, muito triste, não sabe viver, beber e dar valor à alegria e à felicidade, e quem nunca teve o coração partido não sabe dar real valor ao sucesso de amar e ser amado.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/03/02/os-meus-truques-contra-a-tristeza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sentir, sentir, sentir&#8230; acreditar</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2010/02/01/sentir-sentir-sentir-acreditar/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2010/02/01/sentir-sentir-sentir-acreditar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 21:48:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=12128</guid>
		<description><![CDATA[Poucas coisas são tão instintivas como as emoções. Sentimos porque sentimos. Sentimos de facto porque de um momento para o outro, uma vertigem inesperada nos faz tombar sem pré-aviso ou tempo para tomarmos medidas que favoreçam o equilíbrio, seja para um carinho, seja para um desprezo, seja para uma nostalgia, seja para uma desilusão, seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2010/02/01/sentir-sentir-sentir-acreditar/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>Poucas coisas são tão instintivas como as emoções. Sentimos porque sentimos. Sentimos de facto porque de um momento para o outro, uma vertigem inesperada nos faz tombar sem pré-aviso ou tempo para tomarmos medidas que favoreçam o equilíbrio, seja para um carinho, seja para um desprezo, seja para uma nostalgia, seja para uma desilusão, seja para uma enorme paixão.</p>
<p>Os sentimentos que tendem a fazer mais estragos e a prolongar-se mais no tempo, são aqueles que nos assaltam de surpresa; que não chegam sequer a vertigem; que são imediatamente precipício aberto &#8211; esses, que nos transformam em folhas de papel atiradas ao vendaval.</p>
<p>Não viveu de facto quem não amou ao ponto de escolher o precipício a qualquer forma de equilíbrio; não amou realmente, de facto, quem não esteve disposto, absolutamente disposto, a dar fisicamente a vida pelo objecto do seu Amor.</p>
<p>E quem está disposto a dar a vida, tem mil formas de o fazer com ou sem sangue. Morrer carinhosamente por quem se ama é de facto o infinito em formas, isto é, são incontáveis os modos de deixarmos morrer a nossa individualidade, em prol da individualidade do outro, porque a isso o sentimento nos impele.</p>
<p>Podemos &#8220;morrer&#8221; carinhosamente mentindo, ao dizer que estamos tapados e não temos frio quando gelamos, para não corrermos o risco de que o outro possa sofrer a falta da ponta de um cobertor. Podemos &#8220;morrer&#8221; carinhosamente, calando uma palavra que queríamos tanto dizer, por sabermos que o outro desejará para si o prazer triunfante de a pronunciar. Podemos &#8220;morrer&#8221; carinhosamente ao escolhermos o bife pior, por retirarmos realização suprema do dar a quem amamos o absoluto melhor do mundo, mesmo que seja só o melhor do mundo, dos bifes que jazem na travessa. E podemos até &#8220;morrer&#8221; quando fisicamente amando, em silêncio tremente, ultrapassamos amorosamente os duros medos, receios e preconceitos sobre a inadequação do corpo, das palavras e dos gestos, pois o amor nos desfoca de nós, transformando-nos apenas no desejo ardente de, mesmo que nos achemos pouco, oferecermos a totalidade, do pouco que somos ou nos fazemos.</p>
<p>Se o Amor verdadeiro não é uma forma de morte, de nós por nós, e de nós pelo outro, não sei o que será.</p>
<p>E possivelmente, pode amar-se assim a vida inteira.</p>
<p>Há contudo um ponto, dúbio, enublado e insidioso que transforma tantas vezes, a repetição da experiência da emoção, na crença, de que a emoção se mantém. E tantas vezes em consequência nos apercebemos muito descompassados face à realidade, que o Amor desapareceu (tristemente desapareceu), que a paixão já não existe, e que a repetição instintiva de &#8220;amo-te&#8221; passou a hábito, e que a crença de que realmente se ama, passou a convicção acerca da nossa natureza, tão certa como a certeza de termos cinco dedos em cada mão. Assim como se pode acreditar que se é inapto se tal se ouvir repetido muitas vezes, transformando-se no limite essa adjectivação em inépcia, assim se pode passar a crer, à força de tanto se repetir, que existe e/ou subsiste, algo que já não é realidade.</p>
<p>Pode-se então acreditar que ainda se ama, como se acredita que se é generoso, bonito ou inteligente, simplesmente porque assim construímos a imagem de nós próprios. E assim como essas crenças resistem, mesmo contra as evidências, até onde possam subsistir; assim a crença nos sentimentos poderá perdurar até que seja impossível não ver o como as evidências do inverso, passaram de cisco a trave no olho, no sentido da parábola bíblica.</p>
<p>Durante muito tempo lutar-se-á ainda por achar que o sentir não é crença, e que há ainda o perdurar da emoção original que deu lugar ao sentimento. E é difícil saber o que pensar, pendendo entre a racionalização e a aceitação da realidade surpreendente (indesejada) que se esconde por detrás da experiência da dissonância cognitiva.</p>
<p>E a alternativa não é simples: é a escolha entre reconhecer o fracasso da eternidade do sentimento ou reconhecer a fraqueza da emoção, que permite a detenção em dúvida. Não há como ganhar.</p>
<p>Talvez seja aqui que começa o processo de nos reconhecemos desenamorados ou talvez seja aqui tão simplesmente que a ilusão se faz real, e o amor se encarna em parte natural da nossa identidade, se é que o amor não tem o destino de ser proeminente, mas antes de se fundir no tudo o resto que define as nossas vidas, sem qualquer destaque relevante.</p>
<p>Seja como for, quando se prometeu paixão eterna, loucura intransponível e dedicação cega, ver que a paixão pode não ser bem o que se achou e muito menos o que se prometeu, sabe amargamente a derrota. É certo que não queremos ser os tontos que se enamoram perdidamente, cegamente, eternamente e que, por aí, tantas vezes, se perdem de si mesmos e se dissociam da sua vida. Mas não deixa de ser verdade que continuamos a acalentar o sonho da eternidade do Amor verdadeiro, escrito a ouro na via láctea desde o início dos tempos, e que bem no fundo, não acreditamos haver magia, genuinidade e realização, naquilo que não é infinito.</p>
<p>Amar deveria ser bem mais fácil&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2010/02/01/sentir-sentir-sentir-acreditar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Felicidades</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/12/19/felicidades/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/12/19/felicidades/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 10:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Café de Viena]]></category>
		<category><![CDATA[Concurso]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[natal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.mlfonseca.net/?p=10245</guid>
		<description><![CDATA[Ontem, no âmbito da &#8220;Minha Prenda de Natal para Vós&#8221; perguntaram-me &#8220;Como se faz para se ser feliz de verdade?&#8221;. Lá respondi, como pude e sabia, ao que também gostaria de perguntar a quem tivesse a resposta pronta e certa. Faltou-me acrescentar uma coisa: aprendam a conhecer, a apreciar e a não abdicar das irrelevâncias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/12/19/felicidades/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2009/12/happyhour1.png"><img class="size-medium wp-image-10246 alignleft" title="happyhour1" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2009/12/happyhour1-244x300.png" alt="" width="244" height="300" /></a>Ontem, no âmbito da &#8220;Minha Prenda de Natal para Vós&#8221; perguntaram-me &#8220;Como se faz para se ser feliz de verdade?&#8221;. Lá respondi, como pude e sabia, ao que também gostaria de perguntar a quem tivesse a resposta pronta e certa.</p>
<p>Faltou-me acrescentar uma coisa: aprendam a conhecer, a apreciar e a não abdicar das irrelevâncias que vos fazem felizes. Pode ser andar de baloiço de vez em quando, pode ser receber um beijinho de alguém especial, pode ser comer um balde inteiro de gelado de morango naqueles dias que o pedem, ou deixarem-se estar, muito mais tempo do que deviam, imóveis, a ver o fogo crepitar na lareira enquanto sentem como é boa a sensação daquele calor que chega aos ossos.</p>
<p>Eu tenho um pequeno grande prazer de que não abdico que vários de vós conhecem. Não é um lanche ou alimentação &#8211; tornou-se bebida para a alma: o meu Café de Viena, da Nescafé, a escaldar, numa caneca exageradamente grande, a meio da tarde ou pela noite dentro, tão sozinha quanto possa. A bebida é boa sim, mas também gosto de chocolate quente ou outras &#8211; não é isso especialmente que importa. O simbolismo é o mais importante: é o &#8220;meu&#8221; café (com um toquezinho de chocolate :)) bebido num momento que é só meu, de apreciar e relaxar,  por excelência. E eu crio as condições para esse ser sempre um momento perfeito.</p>
<p>Criem rituais em torno daquilo que vos faz feliz e introduzam, de forma tão egoísta quanto possível, o cumprimento desses rituais no vosso dia-a-dia.</p>
<p>Ser feliz também pode ser coleccionar pequeninas felicidades.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/12/19/felicidades/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Teste do espirro :)</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/12/13/teste-do-espirro-2/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/12/13/teste-do-espirro-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 23:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.com/?p=9712</guid>
		<description><![CDATA[Querem saber quem vos ama? Experimentem espirrar. Aquele que for ridículo de tão preocupado que fique ao primeiro espirro; para quem o mundo pare porque espirraram; que vos obrigue a tomar xarope, que vos fale em médico e que vos queira obrigar a ingerir vitaminas, fazendo imediatamente planos para alterar todas as suas rotinas para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/12/13/teste-do-espirro-2/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2009/12/coughsyrup1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9713" title="coughsyrup" src="http://www.mlfonseca.net/wp-content/uploads/2009/12/coughsyrup1.jpg?w=150" alt="" width="114" height="112" /></a>Querem saber quem vos ama? Experimentem espirrar.</p>
<p>Aquele que for ridículo de tão preocupado que fique ao primeiro espirro; para quem o mundo pare porque espirraram; que vos obrigue a tomar xarope, que vos fale em médico e que vos queira obrigar a ingerir vitaminas, fazendo imediatamente planos para alterar todas as suas rotinas para assegurar que não passa um minuto da hora de tomar o remédio, ou que se assegura pessoalmente de que a fruteira esteja carregada de laranjas&#8230; esse ama-vos mais que se ama a si próprio.</p>
<p>Ora, se se irritarem com isso (e por vezes isso é tão, tão irritante) amam essa pessoa menos &#8211; tão menos amam quanto maior for a irritação que sentem ante esse cuidado; mas se se encantarem com isso e se sorrirem interiormente, sentindo-se os mais afortunados do mundo, então amam tanto ou mais do que são amados.</p>
<p>Aquele que desvalorizar o vosso espirro ou que nem o ouça, ama-se mais a si próprio do que vos ama &#8211; estará em geral demasiado preocupado consigo e/ou com os que de facto ama, para perder (verdadeiramente) tempo convosco. Ora, se o desculparem (o que significa, embora possam não o querer reconhecer, que se ofenderam com esse descaso) amam mais do que são amados; mas se desvalorizarem essa falta de cuidado &#8211; se nem o notarem e logo, nem necessitarem pessoal ou socialmente de o desculpar, então amam tão pouco quanto mais o desvalorizem.</p>
<p>O inverso é também verdade, claro. O mundo pára quando alguém espirra? Aí está o vosso coração.</p>
<p>Não precisam de esperar por mais para saberem. Se o mundo de quem amam não pára porque espirraram, porque parará quando choram ou necessitam de um carinho, mais que tudo? O que conta é o princípio; não a escala.</p>
<p>Melhor descobrirem e consciencializarem-se dessa falta de Amor ou de reciprocidade no Amor ao primeiro espirro, que no momento da vossa vida em que calhe mais precisarem de quem amam.</p>
<p>Isso vale para auto-convencimentos e para racionalizações. Melhor desenganarem-se tão cedo quanto possível, mesmo que a isso resistam com a vossa esperança e o vosso intelecto.</p>
<p>Temperem o romantismo com um toquezinho de discernimento e serão mais felizes do que se afastarem completamente o racional das coisas do coração.</p>
<p>Por isso, aproveitem o mau tempo e espirrem ;) Espirrem e saberão! :)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/12/13/teste-do-espirro-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mi Mancha (oggi, domani&#8230; per sempre?)</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/11/04/mi-mancha-oggi-domani-per-sempre/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/11/04/mi-mancha-oggi-domani-per-sempre/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha banda sonora]]></category>
		<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Groban]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.com/?p=8863</guid>
		<description><![CDATA[Perdermos o que amamos, o que faz parte de nós e o que é parte do tecido da nossa vida e da nossa identidade, deixa sempre um sufocante sentido de desamparo e de vazio. Eu perdi recentemente algo e passará muito tempo até que não sinta a sua falta, constantemente, por mais ocupada e feliz que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/11/04/mi-mancha-oggi-domani-per-sempre/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/11/coracao-vazio.jpg"><img class="size-full wp-image-8865 alignleft" title="coracao-vazio" src="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/11/coracao-vazio.jpg" alt="coracao-vazio" width="174" height="180" /></a>Perdermos o que amamos, o que faz parte de nós e o que é parte do tecido da nossa vida e da nossa identidade, deixa sempre um sufocante sentido de desamparo e de vazio. Eu perdi recentemente algo e passará muito tempo até que não sinta a sua falta, constantemente, por mais ocupada e feliz que possa estar e ser. Não encontrei ainda o modo de preencher essa descontinuidade&#8230;</p>
<p>Ainda bem que tudo o tempo cura, e que nos suplantarmos face a desafios, só pode fazer de nós pessoas melhores. O esperar que o tempo (curativo) complete o seu ciclo é que sabe, tantas vezes, a eternidade.</p>
<p>Mi mancha; mi mancherai&#8230; (oggi, domani&#8230; per sempre?)</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="530" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/EJwNS-FPXOI&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="530" height="344" src="http://www.youtube.com/v/EJwNS-FPXOI&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>E faz-me falta Itália, especialmente Veneza, e o quanto de meu (e de mim) por lá ficou.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/11/04/mi-mancha-oggi-domani-per-sempre/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Keep fighting&#8230; together we can build something beautiful xxxx</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/10/26/keep-fighting-together-we-can-build-something-beautiful-xxxx/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/10/26/keep-fighting-together-we-can-build-something-beautiful-xxxx/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 10:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha banda sonora]]></category>
		<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.com/?p=8715</guid>
		<description><![CDATA[Como mensagem? Perfeito. Simplesmente, por vezes, desistir de lutar é a única coisa racional a fazer. Inteligência e discernimento estão em saber o ponto exacto, em que ainda vale e em que já não vale a pena. É triste e cobarde desistir de lutar antes de tempo, mas mais triste é a loucura autista, até por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/10/26/keep-fighting-together-we-can-build-something-beautiful-xxxx/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>Como mensagem? Perfeito. Simplesmente, por vezes, desistir de lutar é a única coisa racional a fazer. Inteligência e discernimento estão em saber o ponto exacto, em que ainda vale e em que já não vale a pena. É triste e cobarde desistir de lutar antes de tempo, mas mais triste é a loucura autista, até por vezes esquizofrénica, de quem continua a lutar, quando a batalha já está perdida e os soldados já recolheram os feridos, enterraram os mortos, limparam as armas e retornaram às casernas. A diferença entre ser-se herói e ser-se insano é, inevitavelmente, milimétrica.</p>
<p>[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xdSlmBxHovY]</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/10/26/keep-fighting-together-we-can-build-something-beautiful-xxxx/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>:)</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/10/06/8300/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/10/06/8300/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:09:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.com/?p=8300</guid>
		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/10/06/8300/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/10/1_scrittasito3_large.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8301" title="1_scrittasito3_large" src="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/10/1_scrittasito3_large.jpg" alt="1_scrittasito3_large" width="270" height="180" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/10/06/8300/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Felicidades para o próximo ano lectivo</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/09/13/felicidades-para-o-proximo-ano-lectivo/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/09/13/felicidades-para-o-proximo-ano-lectivo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 21:39:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia Geral I]]></category>
		<category><![CDATA[Temas Aprofundados Sociologia do Trabalho I]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.wordpress.com/?p=7345</guid>
		<description><![CDATA[A melhor maneira de se vencer um desafio? Definir uma estratégia! Felicidades a todos para o ano lectivo que amanhã começa!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/09/13/felicidades-para-o-proximo-ano-lectivo/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p><a href="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/09/strategyfish_fritsal.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7344" title="strategyfish_fritsal" src="http://mlfonseca.files.wordpress.com/2009/09/strategyfish_fritsal.jpg" alt="strategyfish_fritsal" width="270" height="170" /></a></p>
<p>A melhor maneira de se vencer um desafio? Definir uma estratégia!</p>
<p>Felicidades a todos para o ano lectivo que amanhã começa!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/09/13/felicidades-para-o-proximo-ano-lectivo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Part of your world&#8221; e eterna insatisfação</title>
		<link>http://www.mlfonseca.net/2009/06/14/part-of-your-world-e-eterna-insatisfacao/</link>
		<comments>http://www.mlfonseca.net/2009/06/14/part-of-your-world-e-eterna-insatisfacao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 23:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lurdes Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[A minha banda sonora]]></category>
		<category><![CDATA[A minha sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mlfonseca.wordpress.com/?p=5923</guid>
		<description><![CDATA[Ser feliz é contentar-se com o que se tem, sem dúvida. É feliz quem o descobre e é feliz quem o abraça no seu dia-a-dia. Ora aí está uma verdadeira incapacidade minha: sou eternamente insatisfeita e tolero muito mal o &#8220;não&#8221;, recusando absolutamente &#8220;impossíveis&#8221;. Isso fez com que realizasse a generalidade dos meus sonhos, mas também que entendesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://www.mlfonseca.net/2009/06/14/part-of-your-world-e-eterna-insatisfacao/&amp;layout=standard&amp;show_faces=0&amp;width=450&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font=" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:450px; height:30px"></iframe><p>Ser feliz é contentar-se com o que se tem, sem dúvida. É feliz quem o descobre e é feliz quem o abraça no seu dia-a-dia.</p>
<p>Ora aí está uma verdadeira incapacidade minha: sou eternamente insatisfeita e tolero muito mal o &#8220;não&#8221;, recusando absolutamente &#8220;impossíveis&#8221;. Isso fez com que realizasse a generalidade dos meus sonhos, mas também que entendesse aos poucos, hoje plenamente, como para os insatisfeitos é amargo, o vazio que fica depois da vitória.</p>
<p>Aprender a aceitar &#8220;nãos&#8221; e a viver com &#8220;impossíveis&#8221; pacificamente, é aceitar que não se pode ter tudo. Aceitar que não se pode ter tudo é a única forma de se ser feliz com o que se tem. Ora, isso não é apenas uma virtude &#8211; é um tesouro.</p>
<p>Acho que estou sempre à procura de um mundo novo, diferente e fascinante, e por isso tantas vezes sinto que é pouco, franciscanamente pouco, o tanto que, de facto reuni, ao longo dos meus 31 anos de vida.</p>
<p>Por isso adoro esta música d&#8217; &#8220;A Pequena Sereia&#8221; da Disney&#8230; quem tem barbatanas quer ter pés e quem quer ter pés desejaria facilmente ter barbatanas&#8230; :) é tão comummente assim!</p>
<p>De facto, é surpreendentemente fácil que os que tudo têm, sejam os que se sentem mais pobres. É anomia positiva &#8211; é infelicidade na abundância. Quem chora porque tem fome pode dizer: &#8220;choro porque desejaria comer e não posso&#8221;. Quem chora e tem tudo o que pode desejar aos pés, não tem como racionalizar a tristeza, e isso é muito complicado de psicologicamente se tolerar e objectivamente, dir-se-ia, impossível de curar&#8230;</p>
<p>Recordam-se do sermão das bem-aventuranças?&#8230; &#8220;bem-aventurados os pobres&#8230;&#8221;. Bem-aventurados, &#8220;indeed&#8221;.</p>
<p><object width="520" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Ex3n6nFJbSo&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Ex3n6nFJbSo&#038;hl=pt_PT&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="520" height="344"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.mlfonseca.net/2009/06/14/part-of-your-world-e-eterna-insatisfacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

